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Vacinação infantil é mais lenta em estados com IDH menor

crianças

De acordo com nova nota técnica divulgada na última quarta-feira (16) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a vacinação infantil contra Covid-19 está mais lenta em estados com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e que a esperança de vida ao nascer são menores. A informação é da Agência Brasil.

Segundo os pesquisadores do Observatório Covid-19 da Fiocruz, o cruzamento dos indicadores sociodemográficos com a cobertura vacinal e o ritmo de vacinação de cada estado produz indícios de que a vulnerabilidade social determina a aplicação das doses em crianças. Ainda de acordo com os pesquisadores, o cenário de desigualdade entre os estados acaba afetando mais os estados em que há maior proporção de crianças na faixa etária que deve ser vacinada, de 5 a 11 anos.

Outro ponto importante do estudo é que ele aponta para o cenário que em a cobertura vacinal para a primeira dose infantil é menor em estados em que há maior desigualdade de renda, pobreza e internações por condições de saúde básicas.

Quais são os estados com o melhor e pior ritmo de vacinação?

vacinação vacina brasil 2022
Colunas azuis representam valores acima da média nacional. As vermelhos, abaixo da média. (Imagem:Fiocruz/Reprodução)

Segundo a nota: “Entre as Unidades Federativas, apenas sete possuem cobertura de primeira dose maior que a média nacional (21%): Rio Grande do Norte (32,6%), Sergipe (23,9%), Espírito Santo (21,9%), São Paulo (28,1%), Paraná (28,6 %), Rio Grande do Sul (23,2%) e o Distrito Federal (34,6%). O pior desempenho está no Amapá, com apenas 5,3% da população na faixa etária entre 5 e 11 anos vacinada“. Todos os estados da região norte do país estão abaixo da média nacional.

As capitais que estão abaixo da marca do país na cobertura vacinal são: Boa Vista, RR (20,6%), Rio Branco, AC (6,9%), Porto Velho, RO (16%), Teresina, PI (8,4%), João Pessoa, PI (15,8%), Belo Horizonte, MG (18,4%) e Cuiabá, MT (15,7%). Além delas, Macapá, AP (1,6%), Recife, PB (1,9%) e Campo Grande, MS (1,6%) também estão abaixo da marca, mas, devido as porcentagens tão baixas, isso pode indicar inconsistência dos dados disponíveis para análise.

Fake News atrapalham a campanha

De acordo com a Fiocruz, outro fator determinante para a demora em campanhas tem sido a difusão de notícias falsas sobre as vacinas. Isso acaba gerando dúvidas nas famílias mesmo com todas as evidências da segurança dos imunizantes.

“A consequência deste processo é a lentidão na cobertura vacinal de primeira dose das crianças. E o contexto não poderia ser mais preocupante: o retorno das atividades escolares presenciais“, afirmam os pesquisadores na nota.

Mais do que nunca, cabe o devido esclarecimento à sociedade civil, com linguagem simples e acessível sobre a importância, efetividade e segurança das vacinas, envolvendo a responsabilidade de todos os níveis de gestão da saúde no país (federal, estadual e municipal)“, acrescentam.

E, segundo os pesquisadores, o resultado das Fake News acaba sendo um grupo de crianças desprotegidas contra Covid-19.

Além do benefício individual, ressaltamos que, quanto mais crianças vacinadas, maior será a proteção da população como um todo. É importante destacar que a volta às aulas é necessária, mas com a devida proteção às crianças. Somente assim haverá um cenário positivo para iniciar um novo ano letivo, em que todos estejam protegidos, inclusive a população adulta, que volta a trabalhar de forma mais intensa para atender a esta demanda presencial, em serviços como o comércio e o transporte público“, concluem.

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