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Trabalho pós-pandemia: presencial, home office ou modelo híbrido?

trabalho pos pandemia

Desde o início da pandemia, uma coisa era certa: o impacto na economia. O isolamento social e o fechamento de serviços não essenciais durante o período emergencial resultaram na perda de milhões de empregos no Brasil. Com o avanço da vacinação, espera-se uma melhora – gradual – na economia e a discussão do modelo de trabalho pós-pandemia vem à tona. 

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego no Brasil ficou em 13,7% no trimestre encerrado em julho. O número de pessoas desempregadas chega a 14,1 milhões de brasileiros. Diante deste cenário desafiador, o mercado de trabalho precisou se transformar, da noite para o dia.

Mudanças previstas para acontecer daqui a alguns anos, foram aceleradas com o decreto da quarentena. Para sobreviver, empresas flexibilizaram jornadas, automatizaram processos e cortaram gastos. Mas, talvez, uma das mudanças mais significativas no mercado de trabalho durante a pandemia foi a adoção do home office, essencial para que organizações grandes e pequenas continuassem suas atividades, mesmo durante o período de distanciamento social.

Home office: vantagens e desvantagens 

trabalho pos pandemia
Uma das mudanças mais significativas no mercado de trabalho durante a pandemia foi a adoção do home office. | FOTO: Freepik

De acordo com uma pesquisa realizada no ano passado pela Betania Tanure Associados (BTA), o home office já foi adotado por 43% das empresas brasileiras. A consultoria ouviu representantes de 359 companhias, que têm cerca de 60% de seus colaboradores trabalhando de suas casas. O modelo de trabalho home office é vantajoso para os empregadores, uma vez que gastos com energia, internet, manutenção do espaço físico e vale-transporte são drasticamente reduzidos. 

Além da economia, outro benefício é o ganho na produtividade. Um estudo realizado pela agência Pulses em 2020 mostrou que, durante a pandemia, 78% dos brasileiros se sentiam mais produtivos trabalhando remotamente. Esse número contradiz a antiga crença de que o funcionário só seria produtivo sob a constante supervisão de seu líder.

Outro ponto positivo do home office é o aproveitamento do tempo que seria gasto no trânsito. O consultor de negócios Rubens de Lima concorda: “Neste modelo [home office] vejo benefícios na produtividade, com ganhos de 2 horas por dia que seriam perdidas no deslocamento entre casa e escritório.” Sobre os desafios do home office, Rubens aponta a concentração como o maior deles. “O grande desafio é manter a disciplina de fazer o trabalho sem estar sob o acompanhamento presencial do chefe e das demais pessoas do escritório.”

Por outro lado, trabalhar de casa pode ser motivo de estresse e esgotamento. “O horário flexível muitas vezes é confundido com estar disponível a todo momento. É importante definir limites”, declara a analista comercial, Daniele Bertoldin. Quando o funcionário está em sua casa, é muito mais difícil se desconectar após o fim do expediente, visto que ele “mora em seu trabalho”, por assim dizer.

Essa rotina exaustiva em tempos de pandemia, somada à adaptação das atividades presenciais para as virtuais, as inúmeras reuniões diárias, os problemas com a tecnologia e o desafio de conciliar horários e espaços com outros membros da família, pode gerar uma sobrecarga emocional ao profissional.

Modelo híbrido pode ser solução 

Colocando na balança os prós e contras do home office, uma solução é apontada: o modelo híbrido. Ou seja, intercalar dias de trabalho em casa, com dias de expediente na empresa. Especialistas em recursos humanos indicam que a tendência é de que as companhias transfiram seus escritórios para espaços menores e mantenham a maior parte dos colaboradores atuando à distância. 

Há quem acredite que o modelo híbrido dependerá das atribuições de cada cargo, já que, se houver a possibilidade de realizar todo o trabalho em casa, não existiria a necessidade de um formato híbrido no trabalho pós-pandemia. O consultor Rubens de Lima faz parte desse time. “A melhor opção será aquela que permitirá ao empregado desempenhar suas funções com maior eficiência”, aponta.

Trabalho pós-pandemia

Apesar de ser necessário realizar ajustes importantes na rotina de trabalho, o modelo híbrido parece ser o preferido entre gestores e colaboradores para o pós-pandemia. É o que aponta um estudo feito pelo professor e economista da Universidade de Stanford, Nicholas Bloom. O resultado da análise feita no ano passado com 2,5 mil americanos já revelava que 74,2% preferiam o modelo híbrido de trabalho.

No Brasil, não é muito diferente. Segundo outra pesquisa feita pela Robert Half, 86% dos profissionais brasileiros gostariam de seguir trabalhando em casa. Agora, é difícil projetar um futuro para o trabalho pós-pandemia que não inclua o home office, mesmo que parcial. Dessa forma, é importante que as empresas repensem o seu modelo de trabalho, não deixando de lado a saúde mental dos colaboradores, a fim de que todos possam se adaptar a esse novo cenário, da melhor forma possível.

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