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Renato Kalil: mais mulheres relatam que foram abusadas pelo médico

renato kalil

Depois que a influenciadora digital Shantal Verdelho, a jornalista britânica Samantha Pearson e a escritora Tati Bernardi denunciaram abusos do chamado “médico das famosas”, o obstetra Renato Kalil, outras mulheres apareceram, relatando mais episódios de assédio, preconceito e abuso sexual praticados pelo médico.

renato kalil e pacientes que o denunciaram

O médico Renato Kalil e as primeiras mulheres que o denunciaram: Shantal Verdelho, Samantha Pearson e Tati Bernardi. | Foto: Montagem/ Reprodução/Redes sociaisDurante o programa Fantástico, da Rede Globo, exibido no último domingo (19), duas ex-pacientes e uma ex-funcionária também denunciaram o ginecologista. Uma das ex-pacientes revelou que, em um comentário gordofóbico, Kalil teria dito que ela “nunca iria engravidar, por estar gorda.” Além disso, a mulher contou que o médico falava sobre outras pacientes, expondo detalhes íntimos.

“Todas as consultas ele fala de outras pacientes, ele cita nomes, ele cita inclusive pessoas famosas. Assim, eu sei de histórias de artistas, de blogueiras. Ele é muito antiético”, contou a ex-paciente que preferiu não ser identificada.

Uma segunda ex-paciente disse ao Fantástico que, na primeira consulta, o médico já a assediou. “Ele me falou que eu tinha um corpo bonito. Achei estranho. Aí ele começou a me perguntar sobre a minha vida sexual, se eu tinha relações sexuais com mulheres. Falei que sim. Eu sou bissexual. E aí ele começou com um papo, falar de uma fantasia que ele tinha e eu comecei a me sentir muito constrangida. Eu tenho muita raiva que no dia eu não consegui fazer absolutamente nada. E aí nunca mais voltei”, contou.

Ex-funcionária de Renato Kalil diz que o obstetra “é um doente”

Outra mulher ouvida pela reportagem foi uma ex-funcionária de Renato Kalil. Ela contou que teria sofrido abusos dentro da casa dele. Segundo ela, o obstetra pedia que ela “tocasse nele” além de forçá-la a manter relações sexuais com ele. “No primeiro momento foi a coisa mais difícil da minha vida […], para mim, ele é um doente”, desabafou.

Além dela, ao Fantástico, a fotógrafa Fernanda Sophia, que trabalha fotografando partos, contou que os realizados por Kalil foram os mais “violentos” e “agressivos” que ela já viu. Ela disse que se sentia mal em estar presente durante os partos.

“Ele é extremamente arrogante, trata muito mal os funcionários. Foi extremamente agressivo com a gestante […] Eu sentia como se tivesse compactuando de alguma forma com aquilo, porque a minha vontade era gritar e falar: ‘Gente, não. Pelo amor de Deus!'”, disse.

À reportagem, outra mulher que acompanhou o parto de Shantal Verdelho disse que Renato Kalil não tinha “respeito ao cansaço e todo o processo que a Shantal estava passando desde o momento que ela chegou na maternidade.” Disse ainda que o obstetra “sempre chegava se impondo e xingando”.

Mais mulheres relatam abusos do médico Renato Kalil

Outro forte relato de abuso foi contado pela bancária Letícia Domingues, de 48 anos, em entrevista ao jornal O Globo. Ela disse que foi abusada mais de uma vez pelo médico na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, em 1991.

“Abri os olhos e ele estava com uma perna na escadinha da cama e a outra apoiada em cima dos meus braços, e com o pênis na minha boca. Ele já tinha ejaculado no meu rosto. Não tinha como gritar, me mexer, estava me sentindo culpada”, conta Letícia.

A bancária disse que tinha medo de denunciar Kalil, por ser um profissional de muita influência, mas que se sentiu motivada a contar o seu relato, depois que viu as denúncias de Verdelho, Pearson e de outras mulheres. “A mente dele precisa ser estudada, ele é um psicopata, perverso, essa é a palavra. Pretendo ir na delegacia essa semana fazer a denúncia”, revelou ao O Globo.

Outra mulher entrevistada pelo jornal disse que tinha 27 anos quando foi ao Hospital São Luiz para ter o segundo filho. De acordo com ela, “o horror” começou na sala de pré-parto. “Ele descolou minha placenta com o dedo, para forçar o parto normal. Foi a maior dor que senti na minha vida”, afirmou.

A corretora, que preferiu não ser identificada, disse que, dias após o parto, retornou para uma consulta com Kalil e foi, segundo conta, novamente assediada. “Quando cheguei ele foi logo mandando tirar a roupa. Fiquei sem graça e tentei me cobrir. Ele saiu e quando voltou estava com o pênis ereto e para fora da calça. Fiquei sem saber o que fazer, olhei pra ele com cara de ‘o que é isso?’, larguei tudo, pus a roupa e fui embora. Nunca mais o vi.”

Médico Renato Kalil nega as acusações

Ao jornal O Globo, o médico encaminhou um comunicado, negando as acusações e afirmando que “considera absurdas e fantasiosas as histórias e estranha que sejam veiculadas agora, 30 anos depois”. À TV Globo, Kalil também enviou uma nota, repudiando os relatos, apontando-os como mentirosos e pedindo desculpas se “magoou ou ofendeu qualquer pessoa”, pois “não teve intenção.”

Renato Kalil também alegou que está à disposição das autoridades e que “tomará medidas judiciais contra qualquer um que faça acusações caluniosas”. Os casos estão sendo investigados pelo Ministério Público, pela Polícia Civil de São Paulo, pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (CREMESP) e pelo Hospital São Luiz, onde Shantal Verdelho deu à luz.

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