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Queiroga mente e diz que 4 mil morreram com a vacina; Ministério aponta 11 mortes

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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou nesta segunda-feira (17) que ocorreram 4 mil óbitos no Brasil comprovadamente relacionados com a vacina contra a covid-19. O dado foi citado pelo ministro em entrevista à Jovem Pan – aliada do governo Bolsonaro – e difere de informações oficiais do próprio Ministério da Saúde.

No fim de novembro de 2021, a pasta publicou boletim epidemiológico com dados compilados até aquele mês que apontava 11 mortes relacionadas à reações de vacinas.

O ministro foi questionado pelo jornal Folha de SP e inicialmente repetiu a informação distorcida, dizendo que foram 3.935 mortes provocadas por vacinas.

Cobrado novamente depois sobre o dado, Queiroga reconheceu que a informação estava errada e apontou que as 3.935 mortes na verdade são casos em investigação.

O ministro se recusou a compartilhar o dado mais atual e consolidado do Ministério da Saúde sobre investigações de reações adversas das vacinas contra a covid.

Segundo apuração da Folha, o Ministério da Saúde considera que 13 mortes no Brasil estão associadas à vacinação, em um universo de 325 milhões de vacinas aplicadas no país.

Desde março de 2020, a covid-19 matou 620 mil brasileiros.

Na Jovem Pan, Queiroga citou o dado distorcido após ser questionado por uma comentarista alinhada ao Governo Bolsonaro sobre o sofrimento de “inúmeras famílias” com “efeitos adversos das vacinas”.

“Temos na Secretaria de Vigilância em Saúde registrado 1,7 óbito por cada 100 mil doses aplicadas. Isso perfaz cerca 4.000 óbitos onde há comprovação de relação causal com a aplicação da vacina”, afirmou o ministro.

A fala do ministro que distorce informações do próprio Ministério da Saúde fortaleceu discursos e conteúdos antivacina nas redes sociais.

Até as 22h20 desta segunda, ele não havia corrigido a informação em suas redes ou em canais oficiais.

À Jovem Pan, Queiroga também afirmou que a pandemia está sob controle – a despeito do país ter registrado mais de 110 mil casos de covid em 24h na semana passada. Disse também que a variante ômicron ainda não pressiona o sistema de saúde como ocorreu em momentos anteriores.

O Governo Bolsonaro é frequente autor de desinformação sobre vacinas. O presidente Jair Bolsonaro (PL) atrasou a compra de vacinas para adultos e sempre se posicionou contra a vacinação de crianças – a imnunização infantil, no entanto, é segura, de acordo com o próprio Ministério da Saúde.

Queiroga assumiu o Ministério da Saúde em março do ano passado defendendo uso de máscaras e outras medidas de combate à covid. Com o tempo, entretanto, mudou o discurso.

Ele chegou a participar de eventos do Governo Federal sem máscara e recentemente repetiu falas de Bolsonaro que atrapalham a vacinação, segundo especialistas.

“Essa questão da vacinação tem dado certo porque respeitamos as liberdades individuais. O presidente falou há pouco: às vezes é melhor perder a vida do que perder a liberdade”, disse o ministro em dezembro.

Apesar de ter mudado de discurso desde que entrou diretamente para a política, Queiroga declatou na entrevista que são “absolutamente não procedentes” os boatos de que ele deixará o Ministério da Saúde para ser candidato a cargo eletivo em 2022.

“Meu compromisso com o presidente Bolsonaro é no enfrentamento da pandemia da Covid-19”, afirmou.

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