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PT não aceita pito nem considera federação com o PSB essencial, diz um dos vice-presidentes da sigla

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Deputado federal pelo PT (CE) e um dos vice-presidentes do partido, José Guimarães declarou em entrevista à Folha de SP publicada nesta segunda-feira (07) que o partido recebeu com indignação as reclamações do presidente do PSB, Carlos Siqueira.

Em entrevistas recentes, Siqueira disse que falta reciprocidade de Lula nas negociações para a formação de uma federação entre as legendas, PCdoB e PV.

Também declarou que vê como um entrave a proposta de o PT controlar 27 das 50 cadeiras de uma possível federação – a ideia segue a proporcionalidade do tamanho das bancadas na Câmara, mas o presidente do PSB defende que as cadeiras sejam distribuídas por outros parâmetros, como o número de prefeitos eleitos, o que beneficiaria seu partido.

“A militância não aceita que alguém de outro partido fique dando pito no PT. ‘Faça isso senão não vou…’ Quem não quiser não vai. Não estamos pedindo favor a ninguém para compor a federação”, afirmou Guimarães. “Esse tipo de posição do presidente do PSB não ajuda, só atrapalha, e complica fortemente aquele”.

O parlamentar demonstrou irritação com as entrevistas de Carlos Siqueira

“O PT não vai resolver nada das federações pelas páginas de jornais ou recebendo pito desse ou daquele partido. O PT tem história, tem maturidade. Esse tipo de posição do presidente do PSB não ajuda, só atrapalha, e complica fortemente aquele desejo que é quase unânime na bancada de deputados do PSB e de muitos deputados do PT”, afirma Guimarães.

O presidente do PSB também disse em entrevista à Folha que espera “reciprocidade” do PT em palanques estaduais, em especial o de São Paulo, onde Fernando Haddad (PT) e Márcio França (PSB) disputam a vaga de candidato da coalizão ao governo.

Diante do impasse com as negociações nas negociações para as eleições estaduais de SP, José Guimarães declarou que defende uma união entre Haddad, Márcio França e Boulos (PSOL).

“O Fernando Haddad foi nosso candidato à Presidência [em 2018], se colocou como alternativa. É o candidato do PT, como o PSB diz que tem candidato, o Márcio França. Eu defendo a ideia de que em São Paulo devemos unir Haddad, Márcio França, Guilherme Boulos e Geraldo Alckmin”, afirma o deputado. “Se esses quatro personagens tiverem grandeza política e tiverem compromisso com o estado de São Paulo, nós podemos ganhar a eleição. E vamos analisar qual é o melhor nome para ganhar, qual é o nome mais forte. Isso é que tem que considerar, e não impor nome A ou B”.

José Guimarães diz ainda que o PT dificilmente abrirá mão de lançar Haddad candidato.

“Evidentemente, e aí falo a você com todas as letras, o PT dificilmente deixará de ter candidato a governador de São Paulo, pelo que representa o Haddad. Agora, isso é motivo para não sair a federação? Não. Isso é motivo para ter dificuldade para apoiar o Lula? Não. Nós vamos ter que administrar”, afirmou.

O deputado entende ainda que o presidente do PSB fala de Haddad com “um pouco de falta de respeito”.

“Acho que São Paulo é um emblema, e eles sabem da nossa opinião. E nós nunca fomos externar publicamente nenhuma posição de desrespeito com o Márcio França. Eu acho que quando o Siqueira fala do Haddad é um pouco de falta de respeito. O Haddad é um quadro extraordinário da política brasileira, assim como é o Boulos, o Márcio França. Tínhamos todas as razões pretéritas para reclamar, mas não vamos fazer em respeito à história de cada partido e cada candidato”, afirmou.

Sobre outros impasses para a aliança entre os partidos – em especial no Espírito Santo -, Guimarães declarou que o PT espera uma declaração de apoio do atual governador do ES, Renato Casagrande (PSB) ao ex-presidente Lula.

O PT avalia lançar o senador Fabiano Contatarato para a eleição estuadual do ES.

“Humberto Costa acabou de fazer um baita de um gesto. Renunciou a uma candidatura que está em primeiro lugar ao Governo de Pernambuco [em apoio ao nome do PSB]. Isso não conta? Eu já falei para o Siqueira: no Espírito Santo é só o governador Renato Casagrande apoiar o Lula. Ele não declarou apoio ainda, como vamos apoiar um cara se você não sabe se ele apoia o Moro ou o Lula? Na hora que ele se dispuser a sentar com o PT, respeitando o PT e declarando apoio ao Lula, estaremos no palanque do Casagrande no Espírito Santo”, afirmou.

O deputado também fez um rápido balanço sobre as alianças estaduais entre PT e PSB.

“Com o Freixo (pré-candidato do PSB ao governo do Rio), já tínhamos discutido lá atrás (apoiar). No Rio Grande do Sul nós vamos discutir lá na frente. O PT tem um bom candidato (Edegar Pretto), o PSB também (Beto Albuquerque), tem a Manuela D’Ávila (PC do B), então até sugerimos que esses três partidos sentassem para discutir o melhor caminho, para se unificar”, afirmou.

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