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Negra, pós-doutora em biomedicina é espancada por PMs em Minas Gerais

Luciana Ramalho

A biomédica Luciana Ramalho foi agredida e presa por policiais militares quando tentava filmar a violência com que agiam ao prender um rapaz na vizinhança. Ela foi jogada no camburão, onde permaneceu durante horas sob um sol escaldante. O caso aconteceu em Monte Alegre, MG, que fica a 35 km de distância de Uberlândia.

A guarnição chegou a Rua Governador Valadares, no centro de monte Alegre, por volta de 13 horas do dia 16.. O objetivo era prender o cunhado de Luciana, um rapaz com passado criminal que estava escondido numa casa próxima. Apesar de não encontrar resistência, a PM agiu com extrema violência.

Ao ouvir os gritos e os sons dos socos e pontapés, a biomédica saiu à porta e começou a gravar a cena. Os policiais então pararam de bater no rapaz e passaram a agredí-la. Deram chutes, socos e até mata-leões. “Eles disseram que queriam pegar meu celular”, disse ela ao Despertador da TV Democracia(clique abaixo para assistir à entrevista)

Imobilizada, a biomédica foi colocada no camburão da viatura, onde permaneceu horas sob um sol escaldante. Em depoimento feito por uma rede social, ela contou que chegou a sentir falta de ar e pensou que ia morrer enquanto permaneceu no camburão.

Ela só pode sair da viatura quando finalmente a levaram a um hospital para fazer o exame de corpo de delito. Ainda assim, um dos PMs que a agrediram ficou ao seu lado o tempo todo. Luciana Ramalho conta que a médica ficou passiva diante do relato de que ela tinha dores em todo o corpo e chegou a lhe pedir que apontasse os locais exatos onde a dor era maior.

“Eu sinto dor na alma”, respondeu a biomédica, para quem os policiais só se sentiram tão à vontade para machucá-la porque ela é negra. “Tenho certeza de que se a cor da minha pele fosse diferente eles teriam cogitado [me agredir]. É impossível separar tudo o que eu faço da cor da minha pele. Ela é a primeira coisa que é vista. E nela não está escrito que eu fiz graduação e pós-graduação. Bateram o olho em mim e pensaram que era bandida”.

Luciana criou coragem e decidiu levar o caso a conhecimento público. Gravou um vídeo em seu perfil no Instagram denunciando a violência dos PMs.

Mas logo começaram a surgir os primeiros problemas. Ela registrou ocorrência policial, mas ainda não conseguiu contratar nenhum advogado para representá-la na empreitada judicial que pretende mover. Para tanto, terá o apoio do Desembargador Alfredo Attié Jr., Presidente da Associação Paulista de Direito. Ele ficou sensibilizado ao ver o depoimento da biomédica na TV Democracia e se ofereceu para ajudá-la no que for necessário.

Ainda cheia de dores, Luciana Ramalho consegue fazer uma distinção entre a corporação e policiais mal treinados. “Eu não generalizo. Conheço bons policiais militares, civis e federais. Infelizmente, esse caso é culpa de algumas pessoas. Mas é preciso lembrar que uma pessoa só consegue fazer um estrago grande demais”.

A resposta da PMMG

A Polícia Militar de Minas Gerais divulgou uma nota tentando justificar a agressão. A nota acusa Luciana pelas agressões. O documento relata que, ao chegar para cumprir o mandado de prisão, foram atacados pela biomédia, “tendo ela começado a desacatar os militares que ali se encontravam e posteriormente partido para cima dos militares, proferindo xingamentos, tapas, chutes e “unhadas”.

O comando da PM alega que “devido as agressões perpetradas pela senhora Luciana, foram utilizadas técnicas de contenção e defesa policial por parte dos militares, visando cessar as referidas agressões”.

Leia abaixo a íntegra da nota.

Nota a Imprensa – Fato Monte Alegre de Minas

 

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