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Policial que agrediu biomédica participa de nova prisão arbitrária em MG

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Em entrevista à TV Democracia nesta quinta-feira (09), a biomédica Luciana Ramalho denuncia a prisão de uma mulher em Montes Claros (MG) que foi considerada arbitrária por ela e outros cidadãos do município. Ramalho afirma que a ação policial teve participação de um dos policiais militares que a agrediram em novembro com chutes e socos, após ela filmar a prisão de seu cunhado.

“Sim (conheço o policial), é um dos policiais que estavam aqui no dia da minha agressão”, afirma.

As imagens da nova prisão arbitrária mostram uma mulher se debatendo enquanto é levada para a parte de trás de uma viatura – popularmente conhecida como “chiqueirinho”.

O Portal Democracia procurou a Polícia Militar de Minas Gerais para pedir esclarecimentos sobre o caso, mas a corporação ainda não obteve resposta – o espaço segue aberto.

Segundo a biomédica, a mulher detida – que teve identidade escondida para evitar represálias – estava em uma reunião familiar com crianças quando a Polícia os abordou “e colocou todos com as mãos na parede do nada”.

“Enquanto eles estavam fazendo a abordagem em todo mundo, pedindo documentos, tinha um carro estacionado, que era da mulher que acabou presa. (Um policial) começou a pedir documento do carro, ela entregou, e ele começou a colocar defeito no carro. Ela falou ‘mas meu carro não tem nada, ele está parado’. E ele considerou isso um desacato. Falou que ia chamar o guincho para levar o carro e que ela iria presa. Ela ficou consternada. Falou ‘meu carro que o carro estava parado’ e não fazia sentido isso. Foi quando alguém pegou a câmera e começou a gravar.”.

Ramalho também relata que policiais mentiram no boletim de ocorrência ao dizer que a mulher detida estava sob efeito de drogas e agrediu os agentes.

“Depois disso, ela foi levada também nesse chiqueirinho da viatura, da mesma forma que eu fiquei, foi feito exame de corpo de delito, não deu nada, depois foi feito um boletim de ocorrência forjado contra ela, dizendo que ela agrediu (os policiais) e estava em uso de drogas. Tudo uma mentira danada, de forma que ela também passou um tempo presa, mais do que eu, na viatura e no batalhão da Polícia Militar”.

 

A biomédica conta ainda que a mulher detida passou por problemas psicológicos, após o caso.

“Pelo que eu entendi, ela já tinha claustrofobia, não tinha condições de ficar presa em um ambiente sem ar. Por conta disso, ela desenvolveu vários traumas emocionais e psicológicos. E teve que mudar. Não conseguiu conviver com os traumas e ameaças e se não me engano ela se mudou do país”, afirma.

A cidade de Montes Claros tem cerca de 24 policiais que são conhecidos na cidade e casos de violência policial preocupam os moradores.

“Isso gera dentro de todo mundo uma insegurança, um pavor mesmo”, diz a biomédica.

Biomédica foi agredida em novembro por policiais

Luciana Ramalho foi agredida com chutes e socos por policiais militare no dia 16 de novembro, em Monte Alegre de Minas. Segundo a biomédica, a agressão ocorreu porque ela filmou a ação dos policiais durante a prisão do cunhado dela.

Ela relatou na época que estava em casa quando escutou um barulho vindo do lado de fora. Ao sair, ela viu o cunhado sendo preso pela PM.

Ela filmou a ação dos policiais, que se comportavam de forma excessivamente violenta, conforme o relato.

Ramalhgo relata que, depois de colocar o cunhado dela na viatura, dois militares a abordaram para tomar seu celular. Luciana se recusou a entregar o aparelho e os policiais começaram a agredi-la com socos e chutes.

Em seguida, outros militares se aproximaram e a derrubaram no chão, continuando com os golpes. Ainda segundo Luciana, o comandante da operação teria participado das agressões.

“Nenhum deles perguntou quem eu era ou o que eu estava fazendo ali, se era minha casa, se não era. Bateram o olho em mim e me agrediram, acho que porque estavam com raiva porque eu estava filmando”, afirma.

Após ser imobilizada, ela foi colocada na viatura e encaminhada para receber atendimento médico. Em seguida, ela foi levada para a delegacia e liberada horas depois sob fiança, paga pelo marido.

Em nota enviada à imprensa na manhã em novembro, a Polícia Militar se manifestou sobre o caso. Segundo a PM, um mandado de prisão foi cumprido contra o cunhado de Luciana, que já tinha passagens pela polícia e que entrou em luta corporal com os militares.

Depois da prisão, a mulher teria “começado a desacatar os militares que ali se encontravam e posteriormente partido para cima dos militares, proferindo xingamentos, tapas, chutes e unhadas”.

Devido às agressões, os policiais teriam se utilizado de “técnicas de contenção e defesa”. Depois de receber cuidados médicos, ela foi presa pelos crimes de desacato, lesão corporal e resistência e foi levada à delegacia de plantão acompanhada de seu advogado.

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