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Polícia civil confunde marmita com arma e mata jovem negro na zona sul de SP

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Com informações da Ponte Jornalismo e do R7

O entregador de aplicativos Gabriel Augusto Hoytil de Araújo (19 anos) foi morto por um policial civil com um tiro na cabeça no final da manhã desta quarta-feira (20), enquanto comia uma marmita de almoço, em um beco da Comunidade do Piolho, no bairro do Campo Belo, zona sul de São Paulo.

Segundo moradores, o policial autor do disparo confundiu a marmita com uma arma e atirou no jovem.

Uma dupla de policiais civis estava disfarçada de técnicos de manutenção de telefonia, quando abordou um grupo de jovens.

Segundo uma testemunha, Gabriel correu ao avistar os agentes. Um dos policiais atirou e o adolescente caiu diante de uma construção.

“Entraram dois policiais disfarçados no beco gritando ‘perdeu!’, só que o pessoal do tráfico não estava nesse local. Só tinha gente que não tinha nada a ver e correram assustados. O Gabriel estava com um marmitex na mão e o policial atirou na cara dele. Nós escutamos um policial falar para o outro: ‘não era para você atirar nele’”, relatou um morador que não quis ser identificado.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo contesta esta versão dizendo que suspeitos reagiram à ação dos agentes durante uma operação de combate ao tráfico de drogas no local.

Vídeos mostram o policial civil com a arma na mão no local do crime, diante de moradores, após o crime.

Em uma das cenas, é possível ouvir uma criança dizendo como o corpo de Gabriel Augusto Hoytil de Araújo estava posicionado.

Outro jovem que estava presente na cena foi pevado para o 96º Distrito Policial, no Brooklin, bairro vizinho.

“Eu estava de passagem e vi o momento que eles atiraram. Eles gritaram primeiro e logo depois atiraram. Eu não entendo o motivo. O moleque era um menino de bem, mas dentro de comunidade a polícia não quer saber quem é quem”.

Gabriel chegou ao IML como indigente

Familiares estiveram no Instituto Médico Legal (IML) para liberação do corpo. A mãe de Gabriel sofreu um AVC recentemente e só foi avisada da morte do filho no final da tarde. Em frente ao IML, ela estava inconsolável.

A tia Ana Lúcia Custódio da Silva chegou a ir ao local do crime, mas não pode se aproximar do corpo.

“Eles disseram que só a mãe teria autorização para chegar perto. Quando chegamos aqui no IML soubemos que ele deu entrada como indigente”, relatou.

Para ela, o que mais indigna foi a truculência que levou o sobrinho à morte.

“Dá uma grande dor no coração e a gente sabe que isso acontece todos os dias com outras pessoas. Mesmo se ele estivesse fazendo coisa errada, ele não poderia ter morrido assim. Podiam ter prendido ele, levado vivo e chamado a família. Ele tinha amigos lá, não estava fazendo nada demais. O mínimo que esperamos agora é justiça. Ninguém merece morrer desse jeito”.

O delegado titular do 96º DP, Marco Antônio Bernardo, explicou que a morte de Gabriel ficará por conta do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), enquanto a sua delegacia irá apurar a apreensão de drogas que houve no local. Segundo o delegado, Gabriel tinha passagem por tráfico.

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