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Pelo direito de informar: liberdade de imprensa é garantia de democracia

censura

Censura e coação já levaram à morte mais de 2,6 mil jornalistas em uma década.

Por Isabelle Gomes, da TV Democracia

Dois jornalistas. Um russo e outra filipina. Dmitry Muratov e Maria Ressa dividiram o Prêmio Nobel da Paz deste ano por sua luta em defesa da liberdade de expressão em seus países. Muratov é um dos fundadores de um jornal russo que já teve seis jornalistas assassinados. Ressa denuncia a violência da polícia filipina em um portal de notícias.

O fato de dois jornalistas terem recebido o Nobel da Paz diz muito sobre o ambiente que vivemos hoje no mundo onde há relatos frequentes de intolerância e violência contra comunicadores e comunicadoras. No início desse mês, foi o Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas (02/11). Coincidentemente, poucos dias antes profissionais de imprensa foram atacados por seguranças durante um passeio do presidente Jair Bolsonaro em Roma, durante a reunião do G20. Nosso colega na TV Democracia, Jamil Chade, foi um doa agredidos e chegou a ter o celular tomado. Outros jornalistas foram cerceados e sofreram ataques físicos.

De 1990 até 2020, 2644 profissionais de imprensa foram assassinados de acordo com levantamento da Federação Internacional dos Jornalistas. Em 2021, os homicídios já chegam a 31 pelo mundo, segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras. Esses comunicadores perderam a vida única e exclusivamente por exercerem suas funções. Além das vidas perdidas, os assassinatos representam investigações abruptamente paralisadas, histórias de interesse público que deixam de ser contadas e uma potencial autocensura para os demais profissionais da área. E quando a imprensa se cala, a vítima imediata é a democracia.

No Brasil, a violência contra os jornalistas vem aumentando sobretudo nos últimos anos com a chegada de Jair Bolsonaro ao poder. Não por acaso, o presidente brasileiro figura na lista dos predadores da liberdade de imprensa, também compilada pelo Repórteres Sem Fronteiras. Não causa espanto, portanto, que o Brasil ocupe a posição 111 na classificação mundial de liberdade de imprensa, organizada pela mesma instituição. Segundo um levantamento da Fenaj (Federação Nacional de Jornalistas), a violência contra comunicadores cresceu 105,77% em 2020. Quem lidera os ataques? Bolsonaro.

Bolsonaro insulta, difama e humilha jornalistas, prática que se intensificou na pandemia. Além das agressões, a falta de acesso a dados e informações se tornou uma característica do atual governo. Em meio à maior crise sanitária da atualidade, veículos de comunicação precisaram de organizar para fazer um levantamento paralelo sobre os números de infectados e mortos pela Covid-19, uma vez que os órgãos oficiais burlavam essas estatísticas reiteradamente.

O discurso belicoso do presidente desencadeia ataques verbais violentos de seus aliados e seguidores, estimulando uma cadeia de ódio contra os profissionais de imprensa. Mais uma vez os números nos ajudam a entender a dimensão do problema. Das 254 violações contra jornalistas e comunicadores registradas no Relatório Global de Expressão 2020/2021, elaborado pela organização Artigo 19, quase metade (123) foi perpetrada por agentes públicos. Grande parte delas são ataques racistas, sexistas e preconceituosos.

As violações contra jornalistas se intensificaram também em um campo mais difícil de ser detectado pelas estatísticas: o ambiente online. O assédio contra comunicadores nas redes sociais tem se intensificado e não se limita ao universo virtual. Tem consequências reais e dolorosas para aqueles que são atacados. Nesse ambiente fluido da Internet, a impunidade ainda reina. Uma reflexão importante que é tema do documentário “Comunicação violada – o jornalismo sob ataque nas redes”. O documentário debate a escalada da violência online contra comunicadores em meio à discussão sobre os limites da liberdade de expressão, além de abordar a responsabilidade das plataformas em relação a esta prática e destacar iniciativas de proteção e segurança para os profissionais de imprensa.

O documentário, uma realização do CRIAR Brasil com apoio da Embaixada do Reino dos Países Baixos, será exibido na TVT na TV Democracia nesta quinta, 18 de novembro, às 10h, sucedido de um debate com a vice-presidente da FENAJ, Samira de Castro, e os jornalistas Fabio Pannunzio e Isabelle Gomes.

É preciso dizer basta à impunidade e lutar pela liberdade de imprensa, uma garantia do exercício da democracia.

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