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País da Polinésia, Tuvalu pode desaparecer por conta das mudanças climáticas

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Os lares de 12 mil pessoas que moram em Tuvalu – país formado por 9 pequenas ilhas na Polinésia – correm risco de desaparecer nos próximos anos por conta do aquecimento global e ao aumento do nível dos oceanos.

“Estamos afundando, mas a mesma coisa está acontecendo com todos”, declarou com água na altura dos joelhos o ministro da Justiça, Comunicações e Relações Exteriores tuvaluano, Simon Kofe, em mensagem enviada à líderes mundiais da COP26.

A área em que o ministro se posicionou para lançar o recado para a Cúpula do Clima era era um terreno seco, anos atrás.

“A mudança climática e o aumento do nível do mar são riscos mortais e existenciais para Tuvalu e para as nações com atóis”, alertou o chanceler Simon Kofe.

Atóis são territórios sobre recifes de coral em forma de anel, completos ou parciais, que circundam uma lagoa central. Outros locais, como as Maldivas Kiribati, também correm risco de desaparecer.

Uma pesquisa de 2018 realizada por cientistas nos Estados Unidos e na Holanda, entre outros, observou que “a maioria das nações com atóis estarão inabitáveis ​​em meados deste século”.

Tuvalu fica a cerca de 4 mil km da Austrália e do Havaí. O país todo tem cerca de 26 km.

“É uma nação insular de baixa altitude. O ponto mais alto acima do nível do mar é de 4 metros”, disse o ministro Kofe à BBC Mundo. “Vivemos em faixas de terra muito estreitas e em algumas áreas você pode ver o mar aberto de um lado e uma lagoa do outro. O que temos experimentado ao longo dos anos é que, com o aumento do nível do mar, vemos a erosão de partes da ilha”.

Diante da possibilidade de desaparecer, tuvalenses procuram formas jurídicas para ser reconhecido como nação a despeito da ausência de território.

“O pior cenário é, obviamente, que sejamos forçados a nos mudar e nossas ilhas ficarem completamente submersas no oceano”, afirmou Kofe à BBC Mundo. “Existem muitas abordagens que estamos examinando e uma delas é reinterpretar algumas das leis internacionais existentes a favor da proposição de que as zonas marítimas são permanentes e que nosso Estado também é permanente… Queremos que mais países reconheçam isso.”

Além de ter o território invadido pelo mar, Tuvalu também enfrenta frequentes ciclones e períodos de seca. O aumento da temperatura do oceano também gerou o branqueamento de corais e recifes.

Ainda há dificuldade de obtenção de água doce por conta da infiltração da água marinha no subsolo de aquíferos.

“A água potável normalmente é obtida da chuva, mas em algumas ilhas também eram cavados poços para acessar as águas subterrâneas. Hoje isso não é possível devido à intrusão da água do mar, então dependemos basicamente apenas da água da chuva”, relatou o ministro.

Países como Tuvalu vêm convocando ações climáticas globais concretas há mais de 30 anos. Desde 1990, as nações insulares do Pacífico formaram uma aliança diplomática com outras do Caribe, visando criar uma frente nas negociações sobre as mudanças climáticas. A Aliança de Pequenos Países Insulares (Aosis, na sigla em inglês) hoje tem 39 membros.

Em mensagem à COP26, o atual presidente da organização, o primeiro-ministro de Antígua e Barbuda, Gaston Browne, lembrou que “a contribuição das pequenas ilhas em desenvolvimento para as emissões globais de CO2 é inferior a 1%”.

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