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Olavo de Carvalho diz que Bolsonaro o usou como garoto propaganda e aponta: “A briga está perdida”

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O autor Olavo de Carvalho afirmou nesta segunda-feira (20) que o presidente Jair Bolsonaro (PL) o usou como garoto propaganda para “se promover e se eleger”. A declaração foi feita em transmissão ao vivo realizada no Youtube com aliados do Governo Bolsonaro, como os ex-ministros Ricardo Salles e Abraham Wentraub.

Olavo, que mora nos Estados Unidos, se disse usado como “posterboy” – garoto propaganda em tradução livre.

“O Bolsonaro não é obedecido em praticamente nada, nada. Quem manda no Brasil é a turma do STF, da mídia, do show business. Acabou. E o pessoal das Forças Armadas? Assiste a tudo isso. Só acredita em neutralidade ideológica. Ou seja, no Brasil só existem duas possibilidades: ou você é comunista ou você é neutro. Não existe direita. Existe bolsonarismo”, iniciou o autor, em seu discurso.

Na sequência, Olavo afirma que “a briga já está perdida”.

“O Brasil vai se dar muito mal, gente. Não venham com esperanças tolas, porque é o seguinte: a briga já está perdida. Existem chances de fazer voltar… Existe uma chance remota, mas só se o Bolsonaro acordar, mas eu não sei como fazê-lo acordar. Dizem que eu sou o ‘guru do Bolsonaro’. Isso é absolutamente falso. Conversei com ele somente quatro vezes na minha vida. E duvido que ele tenha lido um só livro inteiro. Se ele tivesse lido com atenção, teve muita coisa que ele fez e não faria”, afirmou o escritor.

Logo Olavo se diz usado por Bolsonaro como garoto propaganda.

“Então, a minha influência sobre o Bolsonaro é zero. Ele me usou como ‘poster boy’. Me usou para se promover, para se eleger. E, depois disso, não só esqueceu tudo o que dizia, como até os meus amigos que estavam no governo ele tirou”, acrescentou.

Análise – É preciso cuidado para interpretar as falas de Olavo

Logo no início da declaração, o autor já insere sua perspectiva conspiracionista ao sugerir que o Supremo Tribunal Federal é “todo-poderoso”. Também falseia a realidade ao apontar uma suposta omissão das Forças Armadas.

Na realidade, Bolsonaro foi acusado de uma lista de crimes interminável, tanto comuns quanto de responsabilidade. Desfila pelo país sem máscara, teve uma postura morbidamente decisiva para a disseminação da covid-19 na nação e ameaçou/xingou ministros da Corte impunemente.

Em diversos outros países, presidente que faz esse tipo de coisa já seria réu na Suprema Corte, no mínimo.

Mas com Bolsonaro nada aconteceu.

Então essa suposta dominância do STF é falsa. Mas Olavo lança esse tipo de fala porque seus seguidores são movidos principalmente por um sentimento de não pertencimento, de necessidade de luta contra algo (mesmo um inimigo inexistente como um “sistema comunista e perverso”) e pela lamentavel ideia de que “se não seguirem o que o autor diz, colocarão a própria vida e a de seus filhos em risco”.

Esse tipo de declaração do autor, portanto, serve basicamente para manter seus seguidores mobilizados e presos em suas teias conspiracionistas.

Ele também engana seguidores ao falar da suposta omissão das Forças Armadas.

Na verdade, Exército, Marinha e Aeronáutica seguem extremamente politizados há anos – desde o primeiro mandato de Dilma Rousseff, pelo menos, quando voltaram a se lançar na política em oposição ao PT e à Comissão da Verdade, entre outros fatores.

Há um exemplo recente e lamentável disto. O ex-ministro da Defesa, Fernando Azavedo, acabou de ser indicado para assumir cargo de diretor-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde será encarregado de tocar as questões administrativas da corte no ano eleitoral de 2022.

Ele terá comando sobre a área de tecnologia, encarregada das urnas eletrônicas e dos softwares utilizados nas eleições – justamente onde incidem as denúncias falsas de Bolsonaro sobre fraude nas urnas.

Ou seja, militares ajudaram a disseminar essas acusaões falsas sobre fraude nas urnas: agora o Judiciário os premia pelo golpismo.

Têm noção a gravidade disso?

Isso sem falar nas ameaças de generais ao STF (general Villas Bôas) e à CPI da Covid (nota das Forças Armadas contra investigação de militares suspeitos em corrupção durante a pandemia).

O quadro é sério e complexo. Olavo, ao lançar suas tradicionais teorias da conspiração, amplia a confusão no público. Ele vive disso, afinal.

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