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Na Rússia, Bolsonaro participa de homenagem a soldados comunistas da União Soviética

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O presidente Jair Bolsonaro (PL) começou seu dia de viagem em Moscou, capital russa, participando da cerimônia de aposição de uma coroa de flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, homenagem realizada por todo chefe de Estado que visita a Rússia.

O Túmulo do Soldado Desconhecido é um dos principais monumentos de celebração da vitória da União Soviética comunista na Segunda Guerra Mundial contra a Alemanha Nazista e demais países do Eixo. Sob o monumento, jazem os restos mortais dos defensores de Moscou, que impediram a entrada dos nazistas alemães a pouco quilômetros da capital.

Na homenagem, Bolsonaro entregou uma coroa de flores com folhas verdes, azuis e amarelas – as cores da bandeira do Brasil. O presidente não usou máscara durante a cerimônia.

Em 2017, o então presidente Michel Temer (MDB) esteve no local na mais recente visita de um presidente brasileiro e ouviu um brasileiro gritando “Fora Temer” de longe, enquanto corria a cerimônia.

No caso de Bolsonaro, a participação na homenagem a soldados da URSS chama atenção por conta do insistente discurso do presidente brasileiro contra o que ele chama de “comunismo” – expresso até mesmo em sua posse, em janeiro de 2019, quando prometeu atuar para “livrar o Brasil do socialismo”, em fala que foi contestada na imprensa e redes sociais.

Ao anunciar a viagem à Rússia, Bolsonaro procurou justificá-la dizendo que Putin era “conservador”.

Putin de fato não é saudosista do comunismo, mas criou uma cartilha de louvação a aspectos heróicos do regime, que se concentram na experiência da guerra.

De viagem na Rússia, no entanto, é impossível que Bolsonaro escape das diversas homenagens e monumentos relacionados ao império comunista da União Soviética, que durou de 1922 a 1991.

Bolsonaro, por exemplo, se encontrou nesta quarta-feira (16) com o presidente da Rússia, Vladmir Putin, no Kremlin, sede do governo e residência oficial do mandatário russo, que fica em frente ao Mausoléu Vladmir Lênin, revolucionário comunista, político e teórico político russo, frequentemente é criticado por aliados do presidente.

O presidente brasileiro chegou ao local por volta das 14h e foi recebido por Putin no chamado gabinete de representação, onde houve os cumprimentos iniciais. Cada um deles fez uma rápida fala inicial, transmitida pelo governo russo.

Em sua fala a Putin, Bolsonaro afirmou que o Brasil é “solidário” à Rússia. O presidente brasileiro, no entanto, não fez menção pública à tensão das últimas semanas na região da fronteira entra a Rússia e a Ucrânia, no leste europeu.

“Somos solidários à Rússia. Temos muito o que colaborar em várias áreas. Petróleo e gása agricultura. Tenho certeza que até mesmo essa passagem por aqui, o retrato para o mundo será de que podemos crescer muito nas nossas relações bilaterais”, disse Bolsonaro.

Após a reunião com Putin, Bolsonaro se encontrará com o presidente da Duma de Estado (a câmara baixa do Parlamento russo), Vyacheslav Volodin, e depois participará da reunião com empresários russos e brasileiros dos setores de agronegócio, energia nuclear e gás.

A visita a Putin acontece em meio à tensão na fronteira da Rússia com a Ucrânia e o temor de uma invasão russa. Nas últimas semanas, a Rússia havia mobilizado pelo menos 100 mil soldados para a fronteira ucraniana. O movimento foi uma reação à possibilidade de que o país fosse incluído na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

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