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Moïse estaria sendo culpado pela própria morte, diz advogado

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A mãe de Moïse Kabagambe, o jovem congolês espancado até a morte no último dia 24, no Rio de Janeiro, chegou por volta das 13h40 desta quarta-feira (2) para prestar depoimento na Delegacia de Homicídios, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, onde as investigações do crime estão acontecendo.

Moïse Kabagambe foi brutalmente assassinado por um grupo de homens depois que pediu o pagamento de duas diárias atrasadas de trabalho. Moïse trabalhava como ajudante de cozinha no quiosque Tropicália, localizado na altura do posto 8, na Barra da Tijuca. Ao fim do expediente, foi pedir o pagamento pelos dias atrasados e foi agredido pelo gerente da loja e outras quatro pessoas.

Ivana Lay, a mãe de Moïse, chegou acompanhada dos irmãos do jovem, que também vão depor,  e do procurador da comissão de direitos Humanos da OAB-RJ, Rodrigo Mondego.

Rodrigo, ao chegar, falou sobre a situação: “A gente sabe que quem está dando paulada em alguém que está desacordado não está revidando uma injusta agressão nem está tentando garantir uma legítima defesa. É nítido que houve sim uma intenção de matar. É fato que houve um dolo”.

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Moïse Kabamgabe foi assassinado por pedir o dinheiro de seu trabalho (Foto: Reprodução/ Redes sociais)

Ele também comentou sobre as tentativas de desqualificar Moïse, tentando culpar o jovem pela própria morte: “Existe uma tentativa de transformar ele na pessoa que gerou o resultado da própria morte. Falar que ele estaria alcoolizado, que estaria alterado“.

Rodrigo ainda falou sobre as condições de vida e trabalho e de Moïse, afirmando que o Tropicália não era o único quiosque que ele trabalhava, além de que ele costumava dormir no trabalho para economizar. “Moïse trabalhava na região, por conta da diária baixíssima que recebia, de não ter direito trabalhista, dormia no trabalho para poder não pagar duas passagens de ônibus e poder chegar em casa com um pouco mais de dinheiro para sustentar a sua família”, disse o advogado.

3 suspeitos pelo assassinato de Moïse foram presos

Na noite desta terça-feira (02), a Polícia prendeu três homens suspeitos de terem assassinado Moïse Kabagambe no último dia 24. Os detidos devem responder por homicídio duplamente qualificado, impossibilidade de defesa e meio cruel.

Um dos detidos é Fábio Silva, que vende caipirinhas na praia e confessou o crime. Ele confessou que espancou o jovem com um pedaço de madeira e estava se escondendo na casa de parentes. Outro que foi detido é Alisson Cristiano Alves de Oliveira, que também confessou o crime. Ele se apresentou na 34ª Delegacia de Polícia, em Bangu, e foi levado para a Delegacia de Homicídios do Rio, que investiga o caso.

A identidade do terceiro homem ainda foi revelada.

O dono do quiosque Tropicália, onde Moïse trabalhava, prestou depoimento nesta terça e não teve sua identidade revelada. Ele nega que devia dinheiro ao congolês.

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