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Mário Frias bloqueia jornalistas nas redes para fugir de acusações

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Jornalistas de diferentes veículos de imprensa relataram entre esta terça (15) e quarta-feira (16) que foram bloqueados no Twitter pelo secretário de Cultura, Mario Frias – alguns deles sem razão aparente.

Frias vem evitando a imprensa nos últimos dias, após ser alvo reportagens recentes que tratam sobre a contratação de seu cunhado na Embratur, com salário de R$ 18,4 mil, e a viagem que ele realizou aos EUA com verbas públicas.

“Fui bloqueado por esse aí sem nunca segui-lo ou ter tido qualquer interação com ele. Aparentemente, está bloqueando todos os jornalistas que estão no Twitter para poder escrever qualquer coisa sem ser incomodado”, afirmou o repórter da TV Globo, Victor Ferreira.

Outro jornalista bloqueado é o colunista do portal Metrópoles, Guilherme Amado, que passou a semana tentando contatar Mário Frias para pedir explicações sobre a contratação de seu cunhado, Christiano Camatti, na Embratur.

“A melhor maneira de Mario Frias (@mfriasoficial) explicar por que emplacou o cunhado num cargo de R$ 18 mil”, afirmou o jornalista compartilhando print que comprova o bloqueio.

Antes do bloqueio, a coluna de Guilherme Amado telefonou para Christiano Camatti, cunhado de Mário Frias, na segunda-feira (14) para questionar sobre sua contratação na Embratur.

Inicialmente, o advogado negou que trabalhasse na agência. Depois, após ser confrontado com informações do próprio órgão, desligou o telefone e bloqueou o contato telefônico.

A coluna então foi à sede da Embratur e confirmou com um porteiro que Christiano Camatti estava no local. Ao ser informado sobre a visita, no entanto, Camatti proibiu o repórter de subir até sua sala e disse através do porteiro que “não tem nada a declarar”.

Mario Frias, Embratur e Ministério do Turismo tampouco responderam os pedidos de explicação sobre quem nomeou o cunhado do secretário de Cultura ou os critérios da escolha.

Sobre a viagem aos EUA, Mário Frias fez uma live nas redes sociais esta semana em que declarou ter ido à Nova Iorque em dezembro – com custo de R$ 78 mil aos cofres públicos – para “conversar com o mercado da Broadway”.

“Estávamos desenvolvendo a IN [instrução normativa relacionada à Lei Rouanet], o objetivo [da viagem] foi conversar com o mercado da Broadway, porque é um mercado que se autossustenta”, disse o secretário na live. “Fomos com o mínimo, eu e Hélio ficamos no mesmo quarto, num hotel normal, preço normal”, alegou.

Mario Frias ficou cinco dias na cidade e neste período esteve acompanhado de seu secretário-adjunto, Hélio Ferraz.

A dupla teve apenas três reuniões, de acordo com a agenda do secretário da Cultura: uma com Bruno Garcia, empresário que se apresenta como especialista em Nova York; outra com a estrela mundial do jiu-jítsu Renzo Gracie; e a terceira com os produtores Marc Routh e Simone Genatt, que levam espetáculos da Broadway para excursionar por países da Ásia.

O secretário ainda afirmou que é caseiro e que detesta viajar. “Foi uma excelente viagem e vai gerar excelentes frutos. Se eu quisesse ficar na mamata, ficava na vida que eu tinha. Não viria para cá para ficar levando pedrada”, concluiu.

Autoridades podem bloquear jornalistas?

Fenômeno recente no cenário político, o bloqueio de jornalistas por parte de autoridades não tem uma legislação específica no Brasil e desperta debates até hoje.

A versão aprovada pelo Senado do PL das fake news (PL 2630/2020) classifica os perfis de pessoas em mandatos eletivos e ocupantes de cargos no Executivo como de interesse público, o que proibiria os bloqueios. No entanto, o projeto ainda não foi aprovado em definitivo.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (AbrajI) ressalta que mesmo na ausência de legislação, jornalistas podem tomar medidas administrativas e judiciais contra bloqueios de autoridades.

“Uma possibilidade de defesa, quando a autoridade compartilha informações de interesse público, é formalizar um pedido pelas vias administrativas diretamente ao órgão do governo correspondente àquela autoridade que fez o bloqueio. No caso do presidente da República, a solicitação seria feita ao Palácio do Planalto”, afirma a Abraji.

No caso de medidas judiciais, a Abraji indica que jornalistas podem procurar a Justiça em busca de um mandado de segurança para pedir o desbloqueio.

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