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Lula critica Auxílio Brasil e diz que Bolsonaro poderia ter aperfeiçoado o Bolsa Família

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Em entrevista ao podcast Podpah nesta quinta-feira (02), o ex-presidente Lula afirmou que o programa de transferência de renda do Governo Bolsonaro, o Auxílio Brasil, é uma “coisa eleitoral” do atual presidente e apontou que o Executivo poderia ter “aperfeiçoado” o Bolsa Família, ao invés de extingui-lo.

“Bolsonaro criou uma bobagem de um Auxílio Brasil que é uma coisa eleitoral, que ele acha que vai ganhar as eleições. Ele acha que o povo brasileiro é bobo, que vai votar porque ele criou um auxílio”, declarou Lula.

O ex-presidente também disse que “o Bolsa Família não era um programa do Lula”, mas “do Estado brasileiro”.

Ele afirmou ainda que não veria problema se o Governo Bolsonaro fizesse eventuais mudanças no Bolsa Família.

“Era um programa excepcional. Bolsonaro não precisaria ter acabado com isso, ele poderia ter aperfeiçoado. A razão dele ter feito isso é porque ele dizia que era um programa do Lula, então precisava ter o programa do Bolsonaro”, afirmou o ex-presidente. “Esse programa tinha 18 anos, não 18 dias”.

Lula também declarou que o Bolsa Família recebeu apoio internacional ao longo de sua existência.

“O Bolsa Família foi eleito por diversas vezes o melhor programa de transferência de renda do mundo. A Organização das Nações Unidas cansou de indicar o Bolsa Família como modelo de transferência de renda”, destacou.

Ele sugeriu na entrevista que o interesse da classe política na população mais pobre do país só existe em época de eleição.

“Pobre muitas vezes neste país é tratado como papel higiênico. Usou, jogou fora, acabou. Acabou as eleições, acabou o interesse pelo pobre. O pobre não é visto como pessoa, mas como número”, afirmou o expresidente. “Há uma cultura política no Brasil. Quando uma pessoa vence uma eleição no Brasil, ela tenta esquecer tudo que o outro estava fazendo porque ele quer construir a sua marca. Na política é assim, tentam acabar a política de um para criar outra coisa”, explicou o ex-presidente.

No Senado, PT votou a favor da PEC dos Precatórios, que o Governo Bolsonaro lançou para criar o Auxílio Brasil

Apesar das críticas de Lula ao Auxílio Brasil, a bancada do Partido dos Trabalhadores no Senado votou nesta quinta-feira a favor da PEC dos Precatórios nos dois turnos de votação – o Governo Bolsonaro afirma que a medida é necessária para viabilizar o Auxílio Brasil.

No primeiro turno, cinco dos seis senadores do PT foram favoráveis à PEC e um se absteve. Na segunda votação houve quatro votos favoráveis, uma abstenção e uma ausência.

A proposta foi aprovada no Senado com uma grande diferença de votos nos dois turnos e, por conta de alterações no texto, retornará na Câmara, onde a bancada petista promete fazer oposição à proposta.

A bancada do PT no Senado foi cobrada nas redes sociais pela orientação favorável à PEC dos Precatórios.

Em nota divulgada no Twitter, os senadores petistas declaram que votaram a favor da PEC que viabiliza o Auxílio Brasil porque ela “insere na Constituição o direito à renda básica familiar; torna permanente a transferência de renda para os mais pobres; carimba os R$ 120 bilhões liberados exclusivamentes para gastos sociais e impede o uso dos recursos em orçamento secreto”.

A despeito das explicações, o partido não foi poupado de críticas por ter votado em conjunto com o Governo Bolsonaro. Uma das pessoas críticas foi a própria presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (RS).

No Twitter, ela classificou a postura da bancada do PT como “um erro político”.

“Aprovação da PEC dos Precatórios no Senado, com ou sem emenda, é um erro político, prejudica o país e não garante proteção aos mais pobres. Nada foi discutido com a direção do PT. Correta é a posição da bancada do PT na Câmara contra esse absurdo

À CNN Brasil, Gleisi declarou que o PT era contra a medida por conta do que ela classificou como um “calote” em precatórios (determinações judiciais que obrigam o governo a pagar determinadas dívidas).

A presidente do PT afirmou também que o valor que será economizado pelo Governo Bolsonaro com a não quitação dos débitos é três vezes superior ao que seria necessário para fazer com que o Auxílio Brasil chegue a R$ 400.

Ela também criticou também o fato de a PEC não detalhar o destino dos recursos. “Boa parte vai virar emenda de relator”, afirmou, contrariando argumento da bancada do PT, que declarou ter votado na medida porque ela “impede o uso dos recursos em orçamento secreto”, entre outros argumentos elencados acima.

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