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Lula bate o pé por candidatura de Haddad ao governo de SP, em recado a Boulos e França

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Diante do impasse nas negociações entre PT e PSB para as eleições estaduais de São Paulo deste ano, o ex-presidente Lula tem repetido em reuniões privadas que pela primeira vez vê chances reais de que o PT vença uma disputa pelo Governo do Estado – neste caso, com o ex-prefeito da capital e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad.

Lula tem feito esta afirmação em reuniões desta semana com petistas e políticos de outros partidos, até mesmo de outros estados. A informação é da Folha de SP. Em uma destas reuniões, segundo relatos recolhidos pelo jornal, Lula avaliou que o PT terá um cenário propício nas eleições de 2022.

Com isto, ele vem batendo o pé pela manutenção da candidatura de Haddad ao Palácio dos Bandeirantes. O ex-presidente também vem enviando recados a políticos de esquerda que também pretendem disputar o Governo de SP, como o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos (PSOL), e o ex-governador Márcio França

Além dos bons resultados de Haddad nas últimas pesquisas de intenção de voto, Lula aponta que a eventual aliança nacional com o ex-governador Geraldo Alckmin (sem partido) deve impulsionar a candidatura de Haddad.

O ex-presidente diz acreditar que a aproximação do PT com Alckmin configura um aceno da sigla a setores de centro e centro-direita, que terá impacto positivo na campanha de Haddad – Alckmin foi por 33 anos filiado do PSDB, partido que governa São Paulo há 27 anos, e se elegeu governador 4 vezes.

A expectativa do PT é que o ex-governador também trabalhe pela eleição de Haddad, caso ele seja confirmado como candidato à Vice-Presidência da República na chama de Lula.

Quando Haddad era prefeito, ele mantinha boa interlocução com Alckmin – ambos chegaram a lidar em conjunto com as massivas manifestações de junho de 2013.

Também há expectativa de que Lula herde uma parte do eleitorado que tradicionalmente seria de Alckmin.

Outra razão do otimismo do PT em São Paulo é a situação política do atual governador, João Doria (que foi afilhado político de Alckmin, antes do rompimento de ambos).

Com rejeição de 38% do eleitorado paulista e aprovação de apenas 24%, segundo pesquisa Datafolha de dezembro, as críticas ao atual governador podem atingir seu vice, Rodrigo Garcia (PSDB-SP), que será candidato tucano nas eleições estaduais. Doria venceu as prévias do PSDB para disputar a Presidência da República pela sigla.

De acordo com a mesma pesquisa Datafolha de dezembro, Geraldo Alckmin tinha 28% das intenções de voto na época, seguido por Haddad, com 19%, França (PSB), com 13%, e Boulos (PSOL), com 10%.

Boulos deputado e França senador?

Otimista sobre a candidatura de Haddad, o ex-presidente vem tentando fechar um acordo para que o PSB desista de lançar Márcio França (PSB) e o PSOL abra mão da candidatura de Boulos para unir candidatos de esquerda em uma chapa só.

Em entrevista a sites progressistas no mês passado, Lula deixou claro que vê a eleição de SP com otimismo.

“O PSB diz que tem o Márcio França. Em algum momento se faz uma avaliação para ver quem tem mais chances. Se for o Márcio França, vamos discutir com ele. Mas eu acho, com toda modéstia, que o PT nunca esteve tão próximo de ganhar o governo do estado, como está agora”, disse Lula em entrevista a sites de esquerda no mês passado.

Depois disso, o ex-presidente chegou a dizer em reunião com integrantes de diferentes partidos, nesta semana, que França seria um bom candidato ao Senado.

O ex-governador, no entanto, recusa essa possibilidade e afirma que não vai desistir de se lançar ao Governo de SP. Em 2018, ele assumiu o governo do Estado após Alckmin se afastar do cargo para disputar – e perder – as eleições presidenciais.

França disputou o Governo do Estado de SP naquele ano. Chegou ao segundo turno com votos progressistas, mas acabou derrotado por Doria.

O PSB conversa para formar uma federação com o PT. E São Paulo é considerado o estado mais complicado da negociação, representando um impasse na união dos partidos.

Em outras negociações, setores do PT defendem que Boulos desista de disputar o governo do estado para se lançar ao cargo de deputado federal.

Na terça, Lula se encontrou com Boulos, mas o cenário paulista não foi tratado na reunião.

Essa discussão será travada nas próximas semanas, em reuniões que devem ter presença de integrantes da direção partidária do PT e PSOL.

Segundo a Folha, petistas avaliam que, além de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, a qual teria chances de vencer, Boulos também deve fazer um acordo para que o PT o apoie na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024 e ter um cargo num eventual governo de Lula.

Em 2020, Boulos ocupou o espaço da esquerda, antes monopolizado pelo PT, e como candidato do PSOL chegou ao segundo turno da eleição, quando foi derrotado por Bruno Covas (PSDB).

Dirigentes do PSOL, hoje, rechaçam a hipótese de retirar Boulos da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, embora admitam conversar com o PT a respeito da eleição paulista.

 

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