PORTAL DEMOCRACIA
Brasil Manchete Política

Justiça condena coronel a pagar R$ 25 mil por ataques homofóbicos contra outro policial

justica-condena-coronel-a-pagar-25-mil-por-homofobia-contra-outro-policial

O tenente-coronel da reserva da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Ivon Correa foi condenado na 7ª Vara Cível de Brasília (DF) a pagar R$ 25 mil em danos morais ao soldado da ativa da PM, Henrique Harrison, por conta de um áudio em que ataca uma cena de beijos gays na formatura da corporação. A decisão é de primeira instância e cabe recurso.

Na imagem que gerou comentários homofóbicos do militar, um casal feminino e um masculino se beijam em comemoração pela formatura de praças da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).

Na gravação de quase 5 minutos, realizada em janeiro do ano passado, Ivon Correa afirma entre outras coisas que a cena é uma “tentativa de enxovalhar essa farda que nós gastamos duzentos e cacetada anos pra fazer o nome dela”.

“O problema, meus amigos, é o seguinte. Observando os fatos desse pessoal. Não tenho nada a ver com a sexualidade deles. A porção terminal do intestino é deles e eles fazem o que quiserem”, afirma Ivon Correa no áudio.

Na sequência, o policial militar da reserva também afirmou que a cena era uma afronta à Polícia MIlitar.

“Aquela avacalhação, aquela frescura ali poderia ser evitada. É lamentável a gente ver que as pessoas… – nesse caso específico –, pessoas cultas que deveria saber como se portar. Poderiam continuar com as vidas deles, ser felizes, como bem disse a Meire, mas, sem afrontar a nossa corporação”, afirmou.

dois casais se beijando

Alvo do ataque homofóbico, o soldado da ativa Henrique Harrison retornou recentemente ao trabalho após realizar tratamento para uma depressão que começou após as ofensas preconceituosas de Correa e outras pessoas.

Harrison acionou a Justiça pedindo indenização por danos morais contra Correa.

O tenente-coronel da reserva da PM que fez os comentários homofóbicos alegou na Justiça que não divulgou o áudio nas redes sociais, mas apenas manifestou opinião em conversa particular.

Mas o argumento não convenceu o juiz Pedro Matos de Arruda: “aquele que é livre para falar o que pensa, torna-se responsável pelos quantos que ofende”, afirmou o magistrado.

Analisando a gravação, o juiz questiona por que um beijo homoafetivo seria problemático para a imagem da corporação.

“O que se deve questionar é: por que aquele beijo maculou a PMDF? Em que sentido é ofensivo à honra e ao pudor da Instituição? (…) A inferência é que o réu tolera os gays, desde que assim não se mostrem ao púbico. Em especial com a farda da Polícia Militar”.

O advogado de Henrique Harrison, Jostter Marinho, comemorou a sentença do Judiciário.

“É importante destacarmos que essa condenação deve ser interpretada como uma aula dada pelo Poder Judiciário no sentido de mostrar e demarcar que discursos de ódio, falas discriminatórias ou atos lesivos às minorias não serão mais tolerados pela sociedade brasileira”, disse à reportagem do Metrópoles.

Related posts

Lula bate recorde do Podpah com mais de 3 milhões de visualizações; live de Bolsonaro teve 89 mil

Rafael Bruza

Bolsonaro só cumpriu 1/3 das promessas de campanha

João Baricatti

Assaí é condenado a pagar R$ 30 mil à família de menino que levou mata-leão de segurança

Rafael Bruza

Leave a Comment