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Juiz entende que xingar repórter de ‘viadinho’ é ‘liberdade religiosa’ e nega tornar padre réu

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O juiz Bruno César Singulani França, da Vara Única de Tapurah (MT), rejeitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do estado contra o padre padre Antônio Müller, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Tapurah, que realizou ofensas homofóbicas sobre o jornalista da TV Globo, Érick Rianelli – casado com o também jornalista da emissora, Pedro Figueiredo.

O caso ocorreu em junho, quando Erick realizou uma declaração de amor para Pedro durante um programa da TV Globo que celebrava o Dia dos Namorados.

“Pedro Figueiredo, nosso colega, repórter, meu amor, meu marido: eu te amo! Feliz Dia dos Namorados para a gente, para todos os casais apaixonados que estão nos assistindo, que todo mundo tenha um Dia dos Namorados maravilhoso”, disse Erick ao vivo no Bom Dia Rio, em comemoração à data.

No jornal, repórteres que vivem relações heterossexuais também fizeram declarações de amor para seus parceiros, mas os comentários críticos e discriminatórios do padre recaíram apenas sobre Erick e Pedro, durante sermão na missa do dia posterior.

“A gente faz um namoro, não como a Globo apresentou essa semana. Dois viados. Desculpa, dois viados. Um repórter com um veadinho, chamado Pedrinho. ‘Prepara meu almoço, tô chegando, tô com saudade’. Ridículo! ”, declarou o padre.

Na fala, Antônio Müller também afirma que casamento de dois homens é “falta de respeito,” além de “sacrilégio” e “blasfêmia”.

“Por favor, que esta não seja a sua cabecinha também, tá? Nem do seu filho nem da sua filha. Pega a bíblia, olha o livro do Gênesis. Deus criou o homem e mulher. Isso que é casamento! Que chamem união de dois viados e duas lésbicas como quiser! Mas não de casamento, por favor! Isso é falta de respeito para com Deus. Isso é sacrilégio, é blasfêmia. Casamento é coisa bonita e digna.

Por conta da declaração, o Ministério Público apresentou em 29 de agosto uma ação civil pública contra o padre, entendendo que as declarações “extrapolaram a liberdade religiosa e podem resultar em medidas extrajudiciais, de ação civil pública por dano moral coletivo causado à sociedade, bem como ação penal, por eventual crime cometido”, como declarou a instituição, na época das ofensas.

Mas o juiz Bruno César Singulani França entendeu que as ofensas do padre se enquadram como “direito à liberdade religiosa” e negou a denúncia contra Antônio Müller.

A Aliança Nacional LGBTQIA+ e o Grupo de Atuação Estratégica da Diversidade Sexual e de Gênero (Gaedic) da Defensoria Pública de Mato Grosso, que acompanham o caso, pediram que o MP do Mato Grosso recorra da decisão judicial.

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