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Jovem Pan está atrás de um comentarista de esquerda e contratou…. Ricardo Salles

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Tentando amenizar a fama de bolsonarista chapa-branca, a Jovem Pan passou as últimas semanas atrás de algum comentarista de esquerda para equilibrar seus programas de opinião. Mas a tarefa não se mostrou fácil por conta da resistência de críticos do Governo Bolsonaro a trabalhar na emissora.

O conglomerado chegou a convidar a jornalista Rita Lisauskas, que saiu da CNN Brasil na semana passada e tem passagens pela RedeTV!, Band e SBT. A ideia era que ela fizesse parte de programas como Top of The Hour e Opinião, em atrações onde jornalistas com visões antagônicas debatem assuntos do dia.

No entanto, Rita Lisauskas recusou o convite, conforme informou ao Notícias da TV.

A Jovem Pan ainda avalia outros nomes em sites e na imprensa. O objetivo é contratar alguém com perfil crítico ao Governo Bolsonaro ainda neste mês.

Enquanto isso, a Jovem Pan já anunciou a contratação de mais um comentarista pró-Bolsonaro: o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que deve estrear no programa Top of The Hour ainda nesta quinta-feira (04).

Salles é um dos políticos mais exaltados por eleitores bolsonaristas e pediu demissão do Ministério do Meio Ambiente no final de junho, pressionado por inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) que o investigam por suposta atuação a favor de madeireiros ilegais.

Com a saída de Salles do Governo, a ministra do STF, Carmen Lúcia, enviou os inquéritos que o investigam para o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

A nota da Jovem Pan sobre a contratação simplesmente ignora os inquéritos e a conduta do ministro no Governo Federal.

O legado de Salles no Ministério do Meio Ambiente é caracterizado por altos índices de desmatamento e conflitos com parceiros internacionais do Brasil. Durante sua gestão, o Brasil também enfrentou crises de incêndios na Amazônia (2019) e no Pantanal (2020), anos em que o país também registrou suas piores taxas de desmatamento da floresta amazônica desde 2008.

O ministro também se envolveu em atritos com a comunidade científica, movimentos indígenas, Ongs e países como Alemanha e Noruega, que tradicionalmente doam bilhões para o Fundo Amazônia –  até que Salles paralisou os trabalhos do grupo levantando suspeitas falsas de que o Greenpeace estava por trás  do vazamento de óleo que atingiu o Nordeste do Brasil em 2019.

Análise: Quem quer trabalhar na Jovem Pan?

Com este legado de destruição ambiental, mentiras e admiração terraplanista pelo Governo Bolsonaro, o ex-ministro Ricardo Salles será perfeito para a rádio Jovem Pan.

Os comentaristas da emissora sempre estiveram alinhados com o presidente da República na ideologia golpista e em métodos – como disseminação em massa de fake news sobre urnas, vacinas e isolamento social.

Difícil vai ser contratar alguém verdadeiramente de esquerda. Isso porque (1) Qual jornalista respeitável vai se dispor a trabalhar com Rodrigo Constantino, Alexandre Garcia, Caio Coppolla e aquela massa de pessoas preocupadas apenas em defender Bolsonaro maquiavelicamente?

Na CNN Brasil, Gabriella Prioli, Augusto Botelho e Marcelo Feller não suportaram participar de um quadro de debate com Caio Coppolla. Eles sumariamente se afastaram da função – seja por demissão, como no caso de Feller, saída por vontade própria ou acordo com a chefia.

Coppolla acabou demitido da CNN e foi recontratado pela Jovem Pan, que está atrás de um crítico do governo para criar um quadro como o da CNN, onde “jornalistas com visões antagônicas” debatem assuntos do dia (sendo que um dos debatedores seria invariavelmente desonesto do ponto de vista intelectual e jornalístico).

Não dá!

E (2) Mesmo que alguém crítico ao Governo Bolsonaro se dispunha de boa-fé a trabalhar com estes malucos, como aguentar as ofensas, os insultos e os ataques que trabalhadores da Jovem Pan, como Rodrigo Constantino, realizam todos os dias contra seus colegas de trabalho?

Constatnino jogou sua militância fanática da Internet em cima da jornalista da JP, Amanda Klein diversas vezes ao longo do ano.

Ela saiu do quadro que ele participava denunciando um “ambiente tóxico com ataques pessoais” que atrapalhava o jornalismo.

“O negócio melhorava por uma semana (após conversar com a direção) e depois voltava a carga. Para mim, é um método dele. Ele usa como tática de desconstruir a pessoa e para reforçar o discurso dele. É a maneira como ele se comunica com a plateia de seguidores dele. É um público que gosta de sangue”, afirmou Amanda Klein em julho, ao deixar o quadro 3 em 1 da Jovem Pan, onde ainda trabalha Constantino.

Neste sentido, concluo com uma pergunta: alguém realmente consegue estar disposto a enfrentar condições de trabalho tão ruins?

Só o Ricardo Salles mesmo… “Jornalista isento, imparcial e profissional” – pausas para risadas: hahaha

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