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José Dirceu diz que aliança do PT com Alckmin ajudaria a frear reação golpista de Bolsonaro à derrota

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Defensor da formação de uma chapa entre o ex-presidente Lula e Geraldo Alckmin, o ex-ministro José Dirceu (PT) vem afirmando a aliados que uma união do partido com o ex-governador de SP traria frutos eleitorais, colaboraria com a construção de governabilidade em um possível novo governo de Lula e ajudaria a proteger a troca na Presidência da República de um eventual novo impulso golpista do atual presidente Jair Bolsonaro (PL), no caso de derrota eleitoral dele.

A informação é da Folha de SP. Enquanto parte do PT acredita que Alckmin será um “novo Temer” – sugerindo que o tucano pode conspirar por um eventual Impeachment de Lula, como fez Temer com Dilma – Dirceu tem visão diferente.

Segundo a Folha, o ex-ministro também tem dito que a chegada de Alckmin ajudaria a formar um bloco de resistência democrática mais sólido, que poderia fazer Bolsonaro e aliados desistirem de movimentos antidemocráticos, no caso de derrota.

Ainda que tentem algo, neste sentido, uma base política ideologicamente mais ampla por trás de Lula resistiria aos eventuais intuitos golpistas de Bolsonaro.

Em contrapartida, ainda na visão de Dirceu relatada por seus aliados, uma chapa formada apenas por políticos de esquerda fortaleceria o eventual movimento golpista por favorecer a atração de mais setores da sociedade contra o campo progressista.

Dirceu teve participação ativa na vitória eleitoral do ex-presidente Lula, em 2002.

Paralelamente, a eventual formação de uma chapa entre Lula e Alckmin rende críticas de setores e quadros do PT.

Um dos maiores críticos da aliança no PT é o deputado federal e ex-presidente nacional do partido, Rui Falcão. Em entrevista à Folha que tratou sobre a possível aliança, Falcão disse que “Lula não precisa de uma muleta eleitoral” e afirmou que a escolha do ex-governador é uma contradição para o partido.

“Primeiro porque temos um programa de reconstrução e transformação do país, como a Fundação Perseu Abramo (órgão de estudos do PT) vem trabalhando. Segundo, o Alckmin é a contradição a tudo isso que fizemos e pretendemos fazer. Terceiro, dá uma sinalização muito negativa para uma campanha que tem que ser aguerrida, mobilizada e com a construção de comitês de defesa da eleição do Lula que permaneçam depois como comitês de apoio do programa de transformação”, afirmou Falcão.

Aliança de Lula com Alckmin ainda é incerta

Polêmica, a eventual aliança entre Lula e Alckmin continua em uma situação de impasse, principalmente em negociações sobre candidatuas estaduais.

Na próxima quinta-feira (20), o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, e a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, têm um encontro marcado em Brasília para discutir ajustes em palanques estaduais em troca de apoio formal à chapa do ex-presidente Lula à Presidência da República.

Siqueira disse ao blog de Andreia Sadi no G1 que desde que o partido apresentou demandas por apoio a palanques estaduais — como São Paulo, Espírito Santo e Pernambuco —, o PT não só não deu resposta como avançou publicamente com anúncios de pré-candidaturas.

Entre as candidaturas, ele cita a de Fernando Haddad (SP), Humberto Costa (PE) e Fabiano Contarato (ES).

Na reuniã, o presidente do PSB vai repetir o que relatou ter contado duas vezes ao ex-presidente Lula.

“Já falei ao Lula que o PT precisa decidir se quer disputar pelo país (contra) um de seus principais aliados ou se quer a nossa ajuda para ganhar a eleição”, afirmou.

O PSB quer lançar candidaturas próprias em alguns estados onde o PT alega ter melhor resultado em pesquisas.

“Nosso critério não é pesquisa, se fosse assim a gente apoiaria ACM Neto na Bahia e não Jacques Wagner. Nosso critério é critério político. Outra coisa: a vida não é só eleição, tem o governo depois”, afirmou Siqueira.

A possível entrada de Alckmin no PSB será tratada na reunião de quinta. Mas Siqueira relatou que até agora não obteve resposta do ex-governador sobre a questão.

“Convidei Alckmin a ingressar no PSB no dia 13 de dezembro, ele não é do PSB ainda, fiz o convite mesmo ele não sendo uma pessoa com perfil de esquerda, mas entendendo que o momento pede essa discussão mais ao centro. Ele tem muitos amigos de esquerda aqui, incluindo eu, mas ainda não nos deu resposta”, afirmou ele.

Questionado se terá alguma reunião com Alckmin nas próximas semanas, Siqueira respondeu negativamente.

“Sei que está conversando com outros partidos, ele vai decidir para onde vai. E, enquanto isso, temos que cuidar da nossa vida”, afirmou.

No PT, políticos que acompanham as negociações sobre a possível chapa Lula-Alckmin disseram que um novo encontro entre ambos está sendo arranjado para ocorrer ainda em janeiro, antes da viagem de Lula ao México.

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