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Jornalista é demitido do Correio do Povo por críticas a Bolsonaro

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O jornalista Juremir Machado denunciou nesta segunda-feira (03) em seu perfil de Twitter que foi demitido do Correio do Povo por ser crítico do Governo de Jair Bolsonaro (PL). Desde 2007, o jornal pertence ao Grupo Record, do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e aliado de Jair Bolsonaro.

“Entrei no Correio do Povo em 1º de setembro de 2002. Hoje, fui demitido. O projeto de extrema direita bolsonarista não quer saber de pluralismo”, afirmou Juremir.

A coluna do jornalista no veículo tinha patrocínio da Unimed Federação RS há 15 anos. Em ano de renovação de contrato, no entanto, o Correio do Povo decidiu romper as relações.

“O jornalista tem patrocínio, dá lucro e é demitido. Qual é a lógica?”, questiona o jornalista, deixando claro que o motivo de sua demissão não é financeiro.

Falando ao portal Extra Classe, Juremir apontou que sua demissão se deve à intenção do Grupo Record em centrar esforços na campanha de reeleição de Jair Bolsonaro (PL).

“É um grupo bolsonarista. Sempre foi e me tinham como um comunista, coisa que inclusive não sou. Já fui demitido nos anos 90 da Zero Hora por uma forte pressão da esquerda”, lembrou Juremir Machado, que se classifica como um jornalista independente.

O jornalista também afirma que era uma figura marcada no jornal. Em 2018, ele ficou nacionalmente conhecido após pedir demissão ao vivo na Rádio Guaíba, que também pertence ao Grupo Record, por ter sido impedido de fazer perguntas ao então candidato Jair Bolsonaro.

Na ocasião, Juremir foi um dos jornalistas que apenas acompanhou a entrevista conduzida pelo apresentador Rogério Mendelski.

“Nós poderíamos dizer que o candidato nos censurou?”, questionou Juremir Machado da Silva ao final da entrevista.

O apresentador contestou.

“O silêncio de vocês foi uma condição do candidato”, afirmou Mendelski. “Ele disse que falaria somente comigo. Não tem censura”.

Apesar de ter pedido demissão ao vivo naquele momento, Juremir Machado só sairia da Rádio Guaíba mais tarde, em agosto de 2020, em mais um caso de censura envolvendo veículos do Grupo Record.

Em 2020, a chefia da Rádio Guaíba mandou cancelar uma entrevista com o ex-presidente Lula (PT) faltando 10 minutos para sua realização.

“Minha queda na Guaíba começou quando me impediram de entrevistar Lula. Dez minutos antes de entrar no ar mandaram derrubar. Fiquei por temer que todo mundo fosse defenestrado”, afirmou Juremir no Twitter.

Juremir acabou afastado da rádio meses depois desse episódio, em agosto de 2020.

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