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Governo Bolsonaro se recusa a identificar “capangas” que agrediram jornalistas, relata Jamil Chade

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Em entrevista à TV Democracia nesta segunda-feira (01), o jornalista e correspondente do canal na Europa, Jamil Chade, relata que o Governo Federal não se pronunciou de nenhuma forma para identificar os “capangas” do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que agrediram jornalistas em Roma na tarde de domingo (31).

O jornalista – que foi um dos agredidos – conta que ficou até as 2h da madrugada em uma delegacia de polícia da Itália para denunciar o ocorrido.

“Saímos da delegacia às 2h da manhã. Entregamos todos os vídeos, etc. E os carabinieres (policiais italianos) ficaram absolutamente surpresos com a reação. Eu insisto que até agora a gente não sabe quem são essas pessoas. Pode ser que sejam da polícia do Estado (da Itália)? Pode ser, certamente, essa é uma grande possibilidade. Mas o que chama atenção é que eles, policiais ou seguranças, podemos colocar como agentes de segurança em geral, se recusavam em dizer quem eram”, relata o jornalista.

Chade aponta também que órgãos do Governo evitam dar identificar quem são os agressores ou onde trabalham.

“A Embaixada do Brasil em Roma, nada. O Itamaraty, nada. A Secom, nada. Absolutamente nada, nenhum tipo de mensagem, nem para perguntar: ‘e aí, estão vivos?’ ou ‘eai, precisam de alguma assistência’. Aquela assistência que na verdade eu não quero. Eu quero saber quem são aquelas pessoas que faziam a proteção do presidente Jair Bolsonaro”, afirma.

Veja a entrevista e o relato completo de Jamil Chade:

“Capangas” permitiram apoiadores perto de Bolsonaro e evitaram câmeras ao agredir jornalistas, relata Jamil Chade

O jornalista aponta ainda que os homens não acompanhavam Bolsonaro para fazer sua segurança e mantê-lo isolado de todas as pessoas presentes, pois permitiram livremente que apoiadores se aproximassem do presidente.

“Nessa caminhada, os apoiadores eram autorizados a chegar perto dele. A tirar foto, a dar beijo e fazer aquelas cenas grotescas que conhecemos do cercadinho que forame exportadas para a Itália or uns dias. Então não era uma questão de segurança, certo? Não era questão de ‘o presidente precisa estar isolado’,. Não. Era ‘o presidente precisa estar com seus apoiadores e a imprensa precisa estar longe’. Era essa a mensagem”, relata Jamil Chade.

Nos dias anteriores às agressões, ainda segundo Jamil Chade, a equipe presidencial passou informações falsas à imprensa sobre a agenda de Bolsonaro na Itália e em mais de uma ocasião retirou o presidente pela porta dos fundos de edifícios, com intuito de manter jornalistas distantes.

Esta situação mudou na tarde de domingo, dia das agressões, quando o presidente obrigatoriamente acabaria encontrando cerca de 7 jornalistas brasileiros que o esperavam com seus apoiadores para fazer perguntas.

“Ali não tinha jeito, nós estávamos lá”, relata Jamil Chade.

Ele conta ainda que as agressões ocorreram após Bolsonaro responder os repórteres de forma hostil. Chade foi um deles.

O jornalista abordou Bolsonaro para perguntar sobre sua ausência na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021 (COP26).

Bolsonnaro o cortou de forma grosseira: “Não te devo satisfações, rapaz”, respondeu.

Jamil Chade relata que também reagiu: “É para o Brasil que o senhor deve explicações”, afirmou ao presidente.

Diante de perguntas e respostas como esta, ocorreram as agressões a jornalistas da Globo, BBC, Folha e ao próprio Jamil Chade.

“É nesse contexto que a tensão vai crescendo. Esses capangas vão ficando cada vez mais agressivos. Falavam italiano e português, tinham os dois e eles estavam misturados. Os que me agrediram eram italianos. Agora, o rapaz da BBC Brasil levou um soco nas costas de um brasileiro”, afirma Jamil Chade.

Ele por fim conta que os seguranças paravam as agressões quando percebiam que estavam sendo filmados.

“Nosso colega da Rede Globo (Leonardo Monteiro) viveu uma cena impressionante, foi uma pena que eu não estivesse com com o telefone levantado na hora. O cara deu um soco nele no estômago e o jogou contra um carro. Quando isso aconteceu, todos nós jornalistas que estávamos em volta colocamos a câmera para filmar. Quando ele viu que a gente estava filmando, ele largou o repórter e voltou para a caminhada. Aí não tive dúvidas, fui atrás filmando esse cara que acha que pode esmurrar jornalistas no centro de Roma num domingo à tarde”, relata.

Chade também acabou agredido pelo segurança ao procurá-lo.

“Quando ele viu que eu estava filmando, ele vira de costas, vem para cima de mim e eu ponho a câmera na cara dele, sugerindo que se ele me bater, ficará filmado’. Ele para uns segundos, torce meu braço com uma mão, com a outra arranca o celular e vai embora com o celular”, relata.

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