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Família de Moïse diz ter sido intimidada por dois policiais militares

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A família do jovem congolês Moïse Mugenyi Kabagambe, que foi espancado até a morte com pelo menos 30 pauladas, em um quiosque da zona oeste do RJ no dia 24 de janeiro, relatou que se sentiu intimidada por dois policiais militares ao procurar informações sobre o crime,

No sábado (29), quatro dias após o crime, a dupla de policiais apareceu durante o protesto de familiares e amigos de Moïse, apesar da presença de policiais do programa Segurança Presente que já acompanhavam o ato – o crime, naquela altura, ainda não tinha adquirido grande repercussão.

Segundo os relatos dos parentes, os dois policiais militares pediram documentos e fizeram perguntas sobre o que havia acontecido e o que o grupo fazia ali. Os mesmos policiais militares sabiam do crime e tinham aparecido no local desde o dia do assassinato.

O jornal Folha de SP perguntou a um tio de Moïse se ele se sentiu intimidado com a conduta dos agentes.

“Claro que sim. O policial fardado com arma, pedindo seu documento com aquele tom de voz, daquele jeito da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Eu sou negro, já passei por batida policial quando tava com uniforme de serviço indo trabalhar, aí você não está uniformizado, começam a te perguntar… Quem não fica intimidado?”, disse ele.

A Folha procurou a PM para expor a intimidação a familiares de Moïse. A corporação declarou apenas que “todas as questões pertinentes ao caso estão sendo investigadas pela Delegacia de Homicídios da Capital”.

A polícia prendeu três pessoas pelo crime, Fábio Pirineus, Aleson Cristiano e Brendon Silva, que negaram em seus depoimentos à Polícia que a intenção deles era matar.

PM é dono do quiosque vizinho ao Tropicália e empregou Moïse

Nos últimos anos, Moïse trabalhou em diferentes quiosques na praia em que foi brutalmente assassinato. Em depoimento prestado na Delegacia de Homicídios da Capital, o proprietário do quiosque Tropicália afirmou que Moïse Kabagambe trabalhou até cinco dias antes do crime no seu estabelecimento, sendo desligado no dia 19 de janeiro. A partir de então, ele teria passado a trabalhar no quiosque vizinho, de nome Biruta.

O quiosque Biruta pertence ao cabo da Polícia Militar, Alauir Mattos de Faria, lotado no 9ºBPM (Rocha Miranda). Ele deve prestar depoimento na Delegacia de Homicídios – responsável pelo caso – nesta quinta-feira (03).

Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca, um dos três agressores presos nesta terça (1°) trabalhava no quiosque Biruta como garçom e cozinheiro.

Em depoimento à Polícia, ele alegou que golpeou o imigrante com um bastão para “extravasar a raiva” que sentia.

O garçom relatou que Moïse o estava “perturbando há alguns dias” e se comportava de forma diferente do passado, consumindo mais bebida alcóolica, falando palavrões, ameaçando pessoas de agressão e insistindo para que clientes e funcionários de quiosques lhe dessem cerveja.

Aleson afirmou também que na noite do crime, por volta das 21h30, enquanto guardava cervejas para fechar o quiosque, viu Moïse pegando uma das bebidas do balcão sem pedir. Segundo relata, Aleson o repreendeu dizendo que devolvesse o que tinha pegado e pedindo que o congolês fosse embora, pois já tinha bebido muito.

Depois disso, ainda de acordo com o depoimento, Moïse tentou pegar uma cerveja no Tropicália e discutiu com pessoas no local. Foi então que os agressores imobilizaram o congolês e iniciaram as agressões.

Ao ver que o imigrante estava imobilizado, o agressor pegou o taco de baseball das mãos do vendedor de caipirinhas Fábio da Silva e o usou contra Moïse “ainda por conta da raiva que estava sentindo”. O congolês, de acordo com o relato de Aleson, “ainda estava se debatendo e resistindo à imobilização de outro funcionário de um quiosque vizinho”.

Aleson também declarou que sua participação no espancamento se limitou a agredir Moïse “algumas vezes com a mão e com o taco de beisebol” e que não amarrou o congolês.

No depoimento, ele afirmou que exagerou nas agressões e declarou que ligou para o Samu para que a vítima fosse socorrida.

Aleson aparece no vídeo dando várias pauladas com Moïse já imóvel no chão — Foto: Reprodução
Aleson aparece no vídeo dando várias pauladas com Moïse já imóvel no chão

Advogado aponta tentativa de desqualificar a vítima

O advogado que acompanha familiares de Moïse no caso, Rodrigo Mondego, afirmou que existe uma tentativa de desqualificar o confolês.

A declaração foi feita durante depoimento da mãe da vítima, Ivana Lay, nesta terça-feira (02).

“Existe uma tentativa de transformar ele na pessoa que gerou o resultado da própria morte. Falar que ele estaria alcoolizado, que estaria alterado”, afirmou o advogado.

Mondego é da Comissão de Direitos Humanos da OAB e declarou que Moïse era trabalhador e estava indo ao quiosque buscar a remuneração dele.

“Moise era trabalhador e ele era remunerado por isso. A polícia ainda tenta descobrir a motivação do crime. Mas Moïse não era uma pessoa bêbada como estão dizendo”, afirmou Mondego.

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