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Morte de Marília Mendonça é tragédia anunciada: FAB já havia notificado duas vezes existência de obstáculo ilegal em Caratinga

NOTAM alerta para o perigo de um obstávulo irregular

O Serviço de Informação Aeronáutica, órgão responsável pela difusão de boletins relevantes para orientar pilotos, já havia emitido duas notificações alertando para a existência de uma torre e de uma antena sem iluminação construídas dentro do circuito de tráfego do Aeroporto de Caratinga.

Essas notificações são feitas por meio de boletins cuja leitura é obrigatória antes do planejamento de cada voo. Elas são conhecidas pelo acrônimo NOTAM (Notice to Airman ). Toda vez que um piloto faz o planejamento de um voo, é obrigado a consultar o NOTAM para cada localidades para onde o voo se destina.

O primeiro NOTAM , emitido em 6 de julho deste ano, alertava para a existência de uma antena não iluminada dentro do circuito de tráfego (na rota dos aviões).

A mensagem contida nesse documento é cifrada, mas todo piloto tem a obrigação de conhecer os códigos e abreviações. Ela dava conta da existência de  um “OBST (ANTENA) NEG LGTD [não iluminado] VIOLANDO O PLANO BASICO DE ZONA DE PROTECAO DO AD COORD 194525.81S/0420745.48W ALT 729.00M (2391.70FT)”.

O NOTAM estava válido e ativo no sistema até 8 de agosto de 2022. Mas em 13 de setembro passado, a FAB decidiu reiterar o alerta, porque constatou que havia outro obstáculo próximo, e emitiu um novo NOTAM.

A torre  e a antena mencionadas ficam a 3,16 mil metros da cabeceira da pista e a 2.391 pés de altitude — 426 pés  acima da pista.

O NOTAM também determina que o avião faça a aproximação para o pouso pelo setor Oeste do aeródromo para evitar os obstáculos. A torre está a sudoeste do aeroporto e pode efetivamente interferir na aproximação porque está 120 metros acima da pista de pouso. Conforme se observa na figura ao lado, os obstáculos são praticamente invisíveis nas fotos do Google Maps.

Parece claro que a causa do acidente que vitimou a cantora Marília Mendonça, seus colegas e os tripulantes foi a colisão com essa torre. O choque foi confirmado pelos proprietários da antena. Isso evidenciar que a aeronave vinha viando baixo demais para aquela etapa do voo, pois deveria estar mantendo um afastamento do solo de no mínimo 1000 pés, cerca de 300 metros.

A investigação deve buscar  necessariamente quem foi que permitiu a construção do linhão e da antena.  Mas não se sabe também por que os pilotos não ingressaram no circuito de tráfego pelo Setor Oeste e por que estavam voando tão baixo.

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1 comment

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DEBORA CAROLINA BENISCH 6 de Novembro de 2021 at 01:27

Mas também não podem ser ignoradas as denúncias de que a empresa de táxi aéreo estava abusando das condições físicas dos pilotos! Eles estariam sendo sobrecarregados!

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