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Estudo revela o poder das drogas no tratamentos de doenças psicológicas

drogas no tratamento de doenças

Com a informação de que a Câmara Federal decidiu retomar a análise do projeto de lei que libera a produção de Cannabis para uso medicinal no Brasil, o debate sobre o uso de drogas no tratamento de doenças vem à tona. Estudos feitos em 2020 comprovaram a eficácia do uso de substâncias como ecstasy e ayahuasca em casos de depressão e transtornos pós-traumáticos.

Estudos comprovaram a eficácia do uso de drogas no tratamentos de doenças psicológicas

Duas substâncias estão sendo utilizadas no tratamento de doenças psicológicas, a saber: o ecstasy, encontrado frequentemente em festas noturnas, e o ayahuasca, famoso chá com propriedades alucinógenas.

Em estudo publicado no ano passado, o neurocientista Eduardo Schenberg afirma ter usado a ecstasy em seu formato puro no tratamento de três pacientes com transtornos psicológicos, durante quatro meses. Como resultado, dois deles foram curados de suas doenças, e o terceiro obteve uma melhora significativa. Já o chá de ayahuasca, feito com  plantas originárias da Amazônia e historicamente utilizado em rituais indígenas, apresentou bons resultados no tratamento de depressão crônica.

drogas
Estudos comprovaram a eficácia do uso de drogas no tratamentos de doenças psicológicas. | Foto: freeimageslive.co.uk /stockmedia.cc

O MDMA

O MDMA – ecstasy sem acréscimo de compostos que fazem mal à saúde – foi utilizado por pacientes diagnosticados com transtorno de estresse pós-traumático (Tept), cujo gatilho eram experiências violentas. Segundo Schenberg, “o uso do MDMA acelera o raciocínio e intensifica as emoções do paciente, clareando seus problemas afetivos e sua própria emoção.”

O especialista ainda explica que a droga reduz o medo do paciente pelo seu Tept, além de ampliar a capacidade de uma análise profunda do trauma. O tratamento foi feito ao longo de 15 sessões, de aproximadamente 90 minutos cada e dois terapeutas presentes. O intuito das consultas era fazer o paciente ter contato com suas próprias memórias e sentimentos.

Nesse contexto, o MDMA surge como uma possibilidade de melhorar o transtorno. A medicação tradicional aplicada hoje consegue tratar os sintomas que acompanham o trauma, como ansiedade, ataques de pânico e insônia. Já a terapia com MDMA propõe curar o trauma.

O ayahuasca

O chá de ayahuasca é rico em DMT (dimetiltriptamina), um poderoso psicoativo. Pessoas com depressão normalmente apresentam alteração de uma proteína chamada “fator neurotrófico derivado do cérebro”, que é responsável por promover novas sinapses (ligações entre neurônios).

De acordo com Dráulio Barros de Araújo, professor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, estudos indicaram que, após a ingestão do chá, os pacientes com depressão tiveram uma melhora para níveis normais. Além disso, segundo o professor, a ayahuasca também reduz a negatividade.

“Uma característica comum da depressão são os pensamentos negativos e ruminativos, ou seja, a pessoa sempre volta para eles sem conseguir sair. Aparentemente, a ayahuasca promove uma mudança desse padrão”, explica o professor.

Porém, diferentemente da utilização do MDMA, o uso hospitalar do ayahuasca não é tão promissor, pelo fato dos efeitos colaterais, como náuseas e vômitos, se manterem muito fortes.

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