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Questões do ENEM 2019 foram censuradas pelo governo Bolsonaro

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Segundo reportagem postada nessa quinta-feira (18) pela revista piauí, em 2019, uma comissão especial, criada pelo governo Bolsonaro, fez um “pente fino” em questões que poderiam ser dadas no ENEM daquele ano e excluiu 66 delas. Essa exclusão do banco de questões aconteceu sem nenhum aval da equipe técnica responsável do INEP, órgão que desenvolve a prova.

A piauí teve acesso ao documento onde esse comissão justifica as intervenções. De acordo com a reportagem, boa parte das questões foram censuradas e excluídas pelo mesmo motivo: causariam “polêmica desnecessária”.

Uma das questões que foi censurada para não causar “polêmica” continha uma tirinha da Mafalda, icônica personagem argentina criada por Quino. Ela é figura cativa de vestibulares pois, como é muito questionadora, é ótima para questões que façam os estudantes refletirem sobre algum tema, mas a comissão achou polêmico demais. Na tirinha em questão, Mafalda encontra sua mãe, que está ansiosa em ver sua filha entrando no jardim de infância. Para acalmar a mãe, ela diz: “Sabe, mamãe, eu quero ir para o jardim de infância e estudar bastante. Assim, mais tarde não vou ser uma mulher frustrada e medíocre como você!”. Chocada, a mãe de Mafalda não fiz nada, enquanto a filha sai andando dizendo: “É tão bom confortar a mãe da gente!

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Tirinha censurada pela comissão de Bolsonaro (Imagem: piauí/Reprodução)

No total, 28 perguntas foram censuradas. Algumas questões continham temas importantíssimos como gravidez na adolescência, feminismo, religião – todas elas censuradas para evitar polêmica. Além dessas, 6 foram censuradas por “descontextualização histórica do texto”, essas questões se referiam à ditadura militar.

Todas as perguntas que falavam sobre feminismo foram retiradas da prova.

Uma questão, retirada da prova de ciências biológicas, falava de HIV e métodos de prevenção. Ela afirmava que a camisinha era a maneira mais segura e barata para se previr contra a AIDS. Foi censurada. A alegação? Iria criar polêmica e estaria fazendo um direcionamento do controle de saúde. No mesmo caderno de biológicas, uma questão que falava sobre a transmissão de um vírus no sistema prisional e como a superlotação e as más condições agravavam a proliferação. Censurada pois causaria polêmica por abordar o sistema penal.

A comissão que censurou o ENEM

Os encontros dessa comissão ocorreram ao longo de 10 dias em março de 2019, onde analisaram as questões com simples “sim” ou “não”, justificando as que julgaram como inapropriadas, mesmo que de uma maneira extremamente simplificada. A comissão foi criada por Marcus Vinicius Rodrigues, na época que estava no comando do INEP, a pedido de Jair Bolsonaro.

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