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Em áudio, General Heleno ataca o STF e diz que toma remédio para não deixar Bolsonaro agir contra a Corte

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Em áudio vazado e divulgado pela coluna de Guilherme Amado no Metrópoles, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno faz duros ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e diz que tem tomado “dois Lexotan na veia por dia” para não levar o presidente Jair Bolsonaro (PL) a tomar “uma atitude mais drástica” contra a Corte.

A declaração foi feita na terça-feira (14), durante formatura do Curso de Aperfeiçoamento e Inteligência, para agentes já em atividade na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) – vinculado ao GSI.

“Temos um dos Poderes que resolveu assumir uma hegemonia que não lhe pertence, não é… Não pode fazer isso, está tentando esticar a corda até arrebentar. Nós estamos assistindo a isso diariamente, principalmente da parte de dois ou três ministros do STF”, afirma Heleno. “E que eu, particularmente, que sou o responsável, entre aspas, por manter o presidente informado… Eu tenho que tomar dois Lexotan na veia por dia para não levar o presidente a tomar uma atitude mais drástica em relação às atitudes que são tomadas por esse STF que está aí”.

O “Lexotan” a que Heleno se refere é um medicamento indicado para a ansiedade, tensão e outros sintomas físicos ou psicológicos associados à síndrome de ansiedade.

A expressão “esticar a corda” é usada frequentemente por líderes bolsonaristas para sugerir que o STF comete abusos contra Jair Bolsonaro e que líderes do Governo reagiriam fora da lei contra estes supostos abusos.

O presidente costuma apontar como exemplos destes supostos abusos a decisão da Corte que permitiu prefeitos e governadores a adotarem medidas contra a covid-19 em suas regiões – a decisão deixou o Governo Federal impossibilitado de decidir sobre abertura e fechamento de comércios, tendo atividade reistrita ao planejamento, orientação e vacinação da população na pandemia.

Em 7 de setembro, Bolsonaro promoveu manifestações contra o STF em que insultou o ministro Alexandre de Moraes e lançou ameaças ao tribunal – os atos foram interpretados como uma possível tentativa de Golpe de Estado.

Procurado pela coluna de Guilherme Amado, Augusto Heleno optou por não se manifestar.

“O GSI deixa de se manifestar por tratar-se de demanda que aborda o assunto fora de contexto”, disse a pasta.

Em outro áudio publicado no Metrópoles, o general Heleno se diz “muito preocupado” e afirma que vai rezar para que Jair Bolsonaro não sofra um atentado fatal em 2022.

Como ministro-chefe do GSI, Heleno comanda a pasta responsável pela segurança do presidente da República.

“Tenho uma preocupação muito grande com esse 2022, porque acho também que uma medida muito simples para mudar, em dez segundos, 20 segundos, totalmente o panorama brasileiro. Um atentado ao presidente da República bem-sucedido modifica totalmente a história do Brasil. Tenho plena consciência disso”, afirmou Heleno na formatura da Abin, ressaltando que os agentes serão importantes para evitar um eventual atentado.

Na sequência, Heleno declara que vai procurar diferentes religiões com objetivo de “torcer para que ninguém adote essa solução”.

“A partir da virada do ano, vou todo dia à Igreja rezar alguma coisa, vou ao Centro Espírita também, aos evangélicos, tudo o que tiver por aí, torcer para que ninguém adote essa solução como uma solução que é, é a solução mais rápida, mais viável, com mais resultado. É eliminar a figura do presidente da República”, afirma.

Oposição vai convocar o general Heleno

Líder da oposição na Câmara, o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) afirmou que vai pedir a convocação do general Augusto Heleno para que ele explique falas sobre o STF.

Molon considerou o áudio “gravíssimo”.

“Nós, da Oposição, vamos convocar o ministro do GSI e exigir que preste esclarecimentos sobre seus ataques à democracia”, afirmou Molon.

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