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Eduardo Bolsonaro xinga Alec Baldwin por morte acidental com arma cenográfica e é contestado por internautas

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O deputado federal e filho do presidente da República, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), usou as redes sociais no último sábado (23) para insultar o ator estadunidense Alec Baldwin, por conta do disparo acidental feito com arma cenográfica na sexta, que matou a diretora de fotografia do filme “Rust”, Halyna Hutchins, e feriu o diretor do longa, Joel Souza.

Defensor do armamento da sociedade, Eduardo Bolsonaro compartilhou uma crítica de Donald Trump Júnior – filho do ex-presidente dos Estados Unidos – que trata Baldwin como um “babaca desarmamentista”.

“Aquele olhar quando um babaca desarmamentista mata mais pessoas com uma arma do que toda sua coleção de armas de fogo jamais matou”, diz o filho do ex-presidente dos EUA, sendo compartilhado por Eduardo Bolsonaro.

O deputado brasileiro foi além e aponta como causa da tragédia as “pessoas que não sabem fazer a checagem de segurança corretamente”.

O ator Alec Baldwin se declara um pacifista e já satirizou o ex-presidente dos EUA no programa humorístico, Saturnday Nigth Live – sendo detestado por apoiadores de Trump.

Com este histórico, Eduardo Bolsonaro também ironizou críticas de Baldwin a Trump e ao armamentismo.

“Talvez agora ele comece uma campanha contra armas cenográficas também”, afirmou o deputado.

Internautas contestaram a declaração de Eduardo Bolsonaro.

“Ele não teve culpa, o acidente prova que as armas são perigosas. Meu tio morreu dentro do alojamento do quartel quando alguém mexeu numa arma em cima da mesa e ela disparou”, afirmou um internauta que teve uma das respostas mais curtidas no post.

“Como vc e ridículo mesmo”, diz um internauta a Eduardo Bolsonaro. “Não daria pra esperar mais nada de você e sua família,  uma tragédia do caramba e você preocupado se o cara é contra ou não uso de armas, vocês não tem limites”.

O ator Alec Baldwin comentou o caso neste fim de semana.

“Não há palavras para expressar meu choque e minha tristeza em relação ao trágico acidente que tirou a vida de Halyna Hutchins, esposa, mãe e admirada colega. Estou cooperando totalmente com a investigação policial para resolver como essa tragédia ocorreu, escreveu o ator em seu perfil no Twitter.

Fala de Eduardo Bolsonaro é estratégia para evitar questionamentos ao armamentismo (Análise)

Diante de mortes acidentais de grande repercussão causadas por armas de fogo, como ocorreu com Alec Baldwin no filme “Rust”, armamentistas correm para as redes sociais para ocupar o debate público com narrativas que dificultam o debate público sobre a violência das armas.

No caso pessoal de Baldwin, ainda há o histórico de críticas a Trump, que amplia a raiva por trás da estratégia maquiavélica.

É daí que vem o tuíte de Eduardo Bolsonaro – e mais uma vez temos um bolsonarista “patriota” copiando estratégia de comunicação de trumpistas dos EUA.

Era simples prever que o acidente de Baldwin levaria muita gente a debater sobre “como armas são violentas” e “como precisamos de mais cuidados com armas, mesmo as cenográficas”.

Esse tipo de pensamento – além do senso crítico/acadêmico no geral – é péssimo para gente que passou os últimos anos apontando “armamento da sociedade” como suposta solução mágica para a violência e as dezenas de milhares de assassinatos no Brasil.

Mas, vejamos. Se um ator experiente acabou matando acidentalmente uma colega com uma arma cenográfica, qual será a consequência de espalhar armas por aí para cidadãos menos treinados e em ambientes menos controlados?

Algo positivo, ou que vai aumentar o número de acidentes?

Além disso, se armas são tão boas para proteção individual, de que forma o valente, nobre e treinado Jair Bolsonaro poderia ter sido roubado e perdido a arma para um assaltante no Rio de Janeiro, como ocorreu em 1995?

Ora, se nem um capitão que “nasceu para ser militar” consegue se proteger de um assalto, que dirá um cidadão comum…

Bolsonaristas se contorcem só de imaginar um cidadão pensando nesse tipo de coisa.

Portanto, ao invés de debater novas políticas para armas cenográficas, por exemplo, ou qualquer questão de interesse público em torno do episódio, o filhinho do presidente se dedica a culpabilizar e xingar o ator – crítico de Trump – para seguir dizendo que armas são “boazinhas” e “salvadoras da pátria”.

Desta forma, ele “ocupa” o noticiário e as redes sociais, seguindo estratégia de Steve Bannon, que consiste em “encher a zona de merda” (“Flood the zone with shit”) – lotar a opinião pública de asneiras para aparecer na imprensa e ocultar outros debates, fatos e pontos de vista.

É um esforço maquiavélico, cínico e completamente despreocupado com a vida, evidentemente.

Mas sem novidades: o Governo Bolsonaro sempre foi feito de gente podre e mórbida assim.

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