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Doleiro preso na Lava Jato financiou campanha do principal aliado de Moro

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Figura central das investigações da Operação Lava Jato, o operador financeiro Alberto Yousseff financiou em 1998 a campanha eleitoral do senador Álvaro Dias (Podemos-PR), que hoje é um dos principais aliados políticos do ex-juiz e ex-ministro da Justiça, Sergio Moro (Podemos). A informação é da Folha de SP.

Duas empresas de Yousseff pagaram R$ 21 mil (R$ 88 mil em valores atualizados) para a campanha de Álvaro Dias, que era do PSDB na época.

Os pagamentos constam na prestação de contas que o senador entregou à Justiça Eleitoral no Paraná, naquele ano. As doações se referem a horas de voo em jatinhos que o doleiro cedeu a Álvaro Dias.

Na Lava Jato, Moro condenou Yousseff a penas que somam mais de 120 anos de prisão. Em uma das sentenças, o ex-juiz chama o doleiro de “criminoso profissional”.

Yousseff deixou o regime fechado em 2016 graças a um acordo de delação premiada.

Duas empresas do doleiro são listadas na prestação de contas de Álvaro Dias realizada em 1998.

Uma delas é a San Marino Táxi Aéreo, que pagou R$ 9,8 mil ao senador. Segundo o detalhamento das contas do parlamentar, este valor se refere à “cessão para uso em viagens de campanha correspondente a seis horas da aeronave PT-IEC Turbo Commander, estimada a preço de mercado conforme declaração do doador”.

A outra empresa é a Yousseff Câmbio & Turismo, que doou outros R$ 11,2 mil ao senador lavajatista. O detalhamento da doação é o mesmo do anterior, mas faz referência a oito horas de voo da aeronave Learjet C-25 PT-LLN.

No total, a campanha de Álvaro Dias em 1998 teve custo declarado de R$ 391 mil (1,6 milhão em valores atuais) – ele conseguiu se reeleger senador naquele ano.

O uso de aviões por parte de políticos já foi objeto de investigação do Ministério Público do Paraná.

No início dos anos 2000, o ex-secretário de Fazenda de Maringá (PR), Luiz Antônio Paolicchi, foi figura central de um escândalo de desvios na prefeitura do município– que coincidentemente é a cidade natal de Moro.

Além de Álvaro Dias, Paolicchi citou o então governador do Paraná, Jaime Lerner (falecido em 2021) e Ricardo Barros (PP), que hoje é líder do Governo Bolsonaro na Câmara. O prefeito de Maringá investigado era Jairo Gianoto, eleito pelo PSDB.

“O prefeito chamou o Alberto Youssef e pediu para deixar um avião à disposição do senador. E depois, quando acabou a campanha, eu até levei um susto quando veio a conta para pagar”, disse o ex-secretário em depoimento, citando a cifra de R$ 200 mil.

Procurado pela Folha de SP, o senador Álvaro Dias encaminou à reportagem documento do Ministério Público do Paraná apontando que, após diligências e depoimentos, procedimento relacionado a este relato de Paolicchi foi arquivado em 2004 por falta de provas.

Sobre o financiamento de campanha que recebeu do doleiro Alberto Yousseff, Álvaro Dias afirmou que toda a campanha de 1998 foi feita dentro da legislação e a Justiça Eleitoral aprovou as contas.

“Foram prestadas 12 horas de voo para que a equipe de filmagem pudesse se deslocar e realizar seu trabalho”, disse ele, em nota à reportagem da Folha.

“Meu jurídico da época dos fatos e a minha equipe de contabilidade me orientaram de forma correta. Fiz tudo de forma transparente, legal e adequada, sendo certo que absolutamente tudo foi declarado em conformidade com a legislação”, acrescentou o senador.

O parlamentar ainda afirma que não conhecia Alberto Yosseff naquela época e aponta que “naquele momento não havia nenhum fato que o desabonasse”.

Sobre as declarações do ex-secretário Paolicchi, o senador disse que não o conhecia e mostrou o documento da Promotoria sobre o arquivamento do caso.

“Não houve, de maneira alguma, repasse de recursos da municipalidade, logo é falsa a acusação de que teria contratado horas de voo com recursos da prefeitura”, afirmou.

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