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“Disputa por comida no lixo é um atentado à dignidade humana”, afirma Frei David

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Em entrevista à TV Democracia nesta terça-feira (19), o presidente da ONG Educafro (Educação e Cidadania de Afro-descendentes e Carentes), Frei David, comenta as cenas de Fortaleza (CE) em que cidadãos brasileiros procuram comida na caçamba de um caminhão de lixo, em um supermercado localizado em bairro nobre da cidade.

“Essa situação de caminhões de lixo, onde o pobre disputa comida como uburu, é um atentado à dignidade humana e ao Brasil, que é um dos países mais ricos em alimento”, declara o Frei David.

O religioso faz críticas ao agronegócio apontando “desgoverno” na nação.

“São situações que não condizem com este rico Brasil, onde tem o agronegócio dizendo que é ‘tech’ e vai melhorar o mundo. O mundo de quem? O do pobre é cada vez mais violentado. O direito à vida e alimentação e trabalho, que diz nossa Constituição cidadã, são violentados cotidianeamente. Essa imagem mostra que temos desgovernos à nível federal, municipal e estadual”, afirma.

Assista a fala (o vídeo se iniciará no momento da declaração):

Ele lamenta a ausência de políticas especiais voltadas aos mais pobres.

“O que mais angustia é que não se vê um plano nacional de atendimento aos pobres”.

Como referência, o religioso faz elogios à programas de combate à pobreza do ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT).

Frei David chama atenção para PL de deputado bolsonarista

Na entrevista, o ativista também critica PLP 134/2019, do deputado federal Bibo Nunes (PSL-RS), que estabelece as condições legais para entidades beneficentes de assistência social “com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde e/ou educação gozarem de imunidade tributária em relação às contribuições para a seguridade social”.

Frei David aponta que a medida, na verdade, atrapalha políticas de inclusão social na Educação.

“Este projeto trabalha em função do lobby das escolas particulares de ensinos fundamental e médio”, afirma. “O projeto é tão macabro que teve a ousadia de, no texto, proibir no ensinos fundamental e médio o que foi feito no ensino superior, que é o Prouni”.

Ele argumenta que a Educafro defende que estudantes de baixa renda recebam políticas para conseguir acessar escolas privadas nos ensinos fundamental e médio.

“Há dez anos defendemos o ‘prouninho’, pregando que o dinheiro de filantropia não vá para assistência social que as escolas ou faculdades querem, mas sim para um plano de inclusão dos pobres no meio dos ricos, com eles estudando juntos. As escolas privadas conseguiram fazer um lobby imenso e proibiram que essas possíveis bolsas atendam quilombolas, indígenas e negros”, lamenta.

Frei David conclui com críticas ao presidente da Câmara, Arhtur Lira (PP-AL).

“É mais uma violência que está aí, imposta pelo centrão. O presidente Arthur Lira é um monstro em relação aos direitos dos trabalhadores e dos pobres”.

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