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Partidos da direita “tradicional” murcharam nas últimas eleições

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2022 já está batendo na porta. Sérgio Moro já oficializou sua candidatura, Lula e Alckmin parecem estar perto de formar uma chapa e Bolsonaro parece ainda não ter saído da campanha de 2018. Pensando nisso e antecipando as próximas eleições, nós, do PORTAL DEMOCRACIA, decidimos fazer uma série de textos destrinchando e explorando alguns dados que não chegam ao grande público.

Os textos são elaborados a partir de dados disponibilizados no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). No entanto, eles estão em tabelas tão complicadas de serem entendidas, que a maioria das pessoas não pode dedicar tanto tempo para entendê-las, e é aí que entramos. Nossa ideia é formatar esses dados de uma maneira palatável e mais simples, sem nunca deixar de lado nosso maior objetivo: a informação de qualidade.

Nessa primeira edição: uma comparação entre candidaturas de deputados federais e estaduais de 2014 e 2018.

Antes de qualquer comparação, é melhor entendermos os dados. Em 2018, nós tivemos 29.085 candidatos inscritos para disputar as eleições, isso, para qualquer vaga. Fazendo um recorte para as vagas de deputados, tanto federais, quanto estaduais, obtemos um novo número: 26.529, aproximadamente 91% dos candidatos. Ou seja, em média, de cada 10 candidatos inscritos para disputar as eleições em 2018, 9 era para um cargo de deputado.

Desses 26.529 deputados, divididos em 35 partidos, 8.588 concorreram ao cargo de deputado federal, em que existiam 513 vagas, logo, 1 em cada 16 deputados se elegeu. Agora, falando dos que concocorreram as câmaras estaduais, foram inscritos 17.941 candidatos para as 1.035 vagas, então, 1 a cada 17 assumiu uma cadeira.

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Jair Bolsonaro é um dos principais nomes da nova direita (Imagem: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

É importante notar que, em 2018, os partidos com os maior número de candidatos inscritos nas eleições eram: PSL, com 1.543 inscritos, depois o PSOL, com 1.347 inscritos, depois o PT, com 1.308, seguido pelo PATRIOTA, com 1.234 e o MDB (antigo PMDB), com 1.126. Esses números não são apenas dos inscritos para os cargos de deputados.

Agora, vamos falar um pouco de 2014. Eram 26.161 candidatos divididos em 32 partidos. Em questão de deputados, eram 24.140, novamente representando algo em torno de 92% do total de candidatos inscritos. Eram 7.136 pessoas disputando as 513 vagas na Câmara Federal e 17.004 disputando as outras 1.035 vagas.

Os principais partidos daquela eleição eram: PT, com 1.366 inscritos, PSB, com 1.353 inscritos, PMDB, com 1.312, PSOL com 1.253, PV, com 1.135 e. por último, o PSDB, com 1.119 inscritos.

Certo. Dito tudo isso, onde nós queremos chegar? Depois de analisar esses dados, notamos um movimento bem explícito – a mudança de importância dentro da direita. Se o que pautou a disputa política, ao longo dos anos 2000, foi o embate entre uma “esquerda e uma direita”, onde os protagonistas eram PT (esquerda) e PSDB/PMDB (direita), podemos notar que, em 2018, esse polo mudou.

Uma “nova” direita

Em 2014, depois das eleições, as maiores bancadas formadas no Congresso Nacional foram as do PT, PMDB e do PSDB, com 68, 65, e 54 cadeiras, respectivamente. Isso vai de encontro com os dados. Esses eram alguns dos maiores partidos do país e, tanto PSDB, quanto PMDB, carregavam alguns dos maiores nome da eleição. Aécio Neves, que concorreu ao cargo da presidência e chegou ao segundo turno, era do PSDB.

Já em 2018, os maiores partidos no congresso eram o PT, PSL e o PP. Por mais que o partido de esquerda tenha se mantido – e segurado o maior número de cadeiras na câmara- é interessante notar a mudança de polo. O PSL, um partido que, em 2014, contava com apenas 1 cadeira, pulou para 52. Chamar o PP de “nova direita” seria quase cômico, mas assim como outros partidos como o NOVO (que sua primeira eleição conseguiu 8 cadeiras) e o PATRIOTA (antigo PNE), assumiram certo vácuo que foi deixado sem esses partidos. A nova direita vendeu o discurso de que, esses partidos, tinham algo de novo e de que não se associavam a “velha politica da roubalheira”, apostando nos altos índices de descontentamento político e na anticorrupção.

Bolsonaro, inclusive, é um dos principais nomes dessa “nova direita”. Um político que já vivia na vida pública há quase 30, mas que conseguiu vender uma figura figura de “outsider”, puxando muitos para o para o partido que era filiado na época e foi a grande sensação da edição: O PSL.

Como indica Adriano Codato, a ideia principal que unifica esse movimento é a anticorrupção: “As pessoas não assumem doutrinas e vão para rua defender uma doutrina. As pessoas vão à rua porque têm uma compreensão – fragmentada, pouco organizada – do que está acontecendo e ficam indignadas. Esse fenômeno de ruptura das pessoas com o mundo da política é mundial, acontece em todas as democracias. No Brasil, 5% das pessoas acreditam em partidos políticos.”

A grande questão é que, por mais que em alguns momentos partidos da antiga direita tenham sido vistos como os desbravadores de um sistema corrupto, muito aconteceu desde as jornadas de junho de 2013.

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