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“Seu fim vai ser igual da Marielle”: Deputada é ameaçada por criticar ação policial que matou 26 em MG

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A deputada estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Andréia de Jesus (PSOL) relatou nas redes sociais que foi ameaçada de morte após criticar a operação policial em Varginha (MG) que terminou com 26 mortos no final de outubro.

“Atende aí sua p* para você ver o que vamo fazer com você. Sua vag*. Vai tomar no seu c* sua p*. Vamo lhe matar. Seu fim vai ser igual da Mariele (sic)”, dizia ameaça de morte, em referência à vereadora do PSOL – mesmo partido de Andréia de Jesus – que foi executada no centro do Rio de Janeiro em março de 2018.

A comissão presidida pela deputada investiga e questiona o modo de agir da polícia durante a ação que terminou com 26 mortos.

Neste contexto, surgiram os ataques e a ameaça de morte.

“Não é com alegria que escrevo essa nota aos amigos, militantes e a todos que estão de alguma maneira conectados comigo! Não é fácil abrir meu celular e me deparar com ameaças contra minha vida”.

A Polícia Legislativa da Assembleia Legislativa de Minas Gerais acionou a Polícia Civil do Estado, fez um Boletim de Ocorrência e recomendou que a parlamentar passe a ser protegida por uma escolta policial.

Ela aceitou a sugestão.

“Demos início a esse procedimento ainda no dia de hoje, devido à gravidade dos fatos”, relata.

A deputada também afirma que irá nesta quinta-feira (04) à Delegacia de Crimes Virtuais “para encaminhamento dos discursos violentos, das ameaças a minha integridade física e contra a minha vida!”.

Especialistas contestam versão da polícia sobre operação em Varginha

Paralelamente à Coissão de Direitos Humanos da ALMG, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) também investiga a operação policial em Varginha, que visava prender uma quadrilha de assalto a banco.

A ação foi realizada pela Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal e Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e terminou com 26 suspeitos mortos.

A PRF afirma que houve confronto com os suspeitos em dois momentos. No primeiro, eles supostamente atacaram equipes da PRF e da PM, que reagiram matando 18 pessoas – sem nenhum policial ferido.

O segundo momento ocorreu em uma chácara, onde os policiais supostamente encontraram outra parte da quadrilha e trocaram tiros com os mesmos, matando as outras 8 pessoas – também sem policiais feridos.

Especialistas apontam falta de transparência das polícias de MG sobre a operação e pedem investigações independentes do caso. Eles suspeitam de possíveis adulterações de cenas de crimes e remoção de corpos antes da perícia.

Também  desconfiam também que apenas policiais atiraram naquele dia – tendo em vista que nenhum agente do Estado ficou ferido, enquanto 26 suspeitos morreram, em situação incomum durante troca de tiros.

A deputada foi uma das parlamentares de MG que contestaram a versão oficial da operação.

“No último dia 31, voltava de uma agenda internacional para articular a cooperação entre Brasil e Senegal para a agroecologia. Minha equipe e eu fomos acionados por mais de 20 veículos de imprensa,  por mães sem dinheiro para sepultar seus filhos por uma rede ativista, cobrando zelo pela memória de um jovem, querido por sua comunidade, morto na mesma operação”, relata. “Ele, não teria vínculo ou histórico com a criminalidade”.

Ela conta ainda que extremistas procuraram suas redes sociais após ela contestar a operação.

“Como é de praxe em situações similares, a Comissão acolheu a denúncia e eu tornei público o ocorrido. Em seguida, todas as minhas redes foram invadidas por extremistas distorcendo a minha fala, com comentários de ódio e desrespeito. E por fim, AMEAÇAS CONTRA MINHA VIDA!”, afirma.

Os  responsáveis pela investigação da operação policial no Ministério Público de Minas Gerais são a procuradora de justiça titular Elaine Claro, o procurador André Ubaldino e os promotores Paula Ayres, Francisco Assis e Igor Serrano.

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