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Demitido, jornalista Juremir Machado denuncia casos de censura no Correio do Povo, do Grupo Record

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O jornalista Juremir Machado vem usando seus perfis nas redes sociais nos últimos dias para denunciar casos de censura que sofreu antes de ser demitido do jornal Correio do Povo, que desde 2007 pertence ao Grupo Record, do bispo e fundador da Igreja Univerasl do Reino de Deus, Edir Macedo – aliado de Bolsonaro desde 2018.

Em um dos casos relatados, Machado conta que um bispo da chefia do jornal decidiu acabar com o podcast que ele comandava por conta de comentários irônicos que ele fez sobre Bolsonaro, após o presidente xingar de “idiota” quem diz que é preciso comprar feijão em vez de fuzil.

“Marcas da censura: eu tinha um podcast no site do Correio do Povo. Quando Bolsonaro vomitou aquelas asneiras sobre o feijão e o fuzil, fiz um comentário irônico sobre as escolhas do capitão. O bispo que manda no CP extinguiu meu podcast na hora”, relata Juremir Machado. “No episódio do feijão e do fuzil a ordem do bispo foi para derrubar também um vídeo dominical que eu tinha lincado no jornal. Caiu e voltou. Havia contrato de patrocínio em vigor. O chefão não queria postagens contra Jair Bolsonaro”.

Juremir Machado acabou demitido do Correio do Povo por ser crítico do Governo de Jair Bolsonaro (PL).

“Entrei no Correio do Povo em 1º de setembro de 2002. Hoje (3 de janeiro), fui demitido. O projeto de extrema direita bolsonarista não quer saber de pluralismo”, afirmou Juremir.

O jornalista conta também que chegou a publicar nas redes sociais textos que foram censurados no jornal.

“Quase toda vez que eu publicava um textão no Facebook, sob a cartola Face a Face, aberto na mensagem, sem link, era artigo censurado”, afirmou.

Machado conta ainda que foi retirado do setor de esportes do Correio do Povo porque abordava assuntos políticos em suas falas.

“Quando me tiraram do esporte a alegação foi: falando demais de política no horário”, relatou.

Ele conta ainda que a chefia do Correio do Povo pediu que o jurista do Grupo Prerrogativas, Lênio Streck, não fosse mais convidado a dar entrevista.

“Quando a extrema direita assumiu uma das primeiras determinações foi: chega de convidar o Lênio Streck”, relatou Machado.

A coluna do jornalista no veículo tinha patrocínio da Unimed Federação RS há 15 anos. Em ano de renovação de contrato, no entanto, o Correio do Povo decidiu romper as relações.

“O jornalista tem patrocínio, dá lucro e é demitido. Qual é a lógica?”, questiona o jornalista, deixando claro que o motivo de sua demissão não é financeiro.

Falando ao portal Extra Classe, Juremir apontou que sua demissão se deve à intenção do Grupo Record em centrar esforços na campanha de reeleição de Jair Bolsonaro (PL).

“É um grupo bolsonarista. Sempre foi e me tinham como um comunista, coisa que inclusive não sou. Já fui demitido nos anos 90 da Zero Hora por uma forte pressão da esquerda”, lembrou Juremir Machado, que se classifica como um jornalista independente.

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