PORTAL DEMOCRACIA
Manchete Política

Damares levou 7 parentes de Michelle Bolsonaro em avião da FAB para SP

damares-levou-sete-parentes-de-michelle-bolsonaro-em-aviao-da-fab

No último sábado (21), a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos Damares Alves levou sete parentes da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, até São Paulo em um avião da Força Aérea Brasileira.

Viajaram na aeronave a filha mais velha, três irmãos, uma cunhada e dois sobrinhos de Michelle Bolsonaro. No grupo de 16 pessoas, o ministro do Turismo, Gilson Machado, também levou a esposa, Sarita Pessoa.

O grupo que saiu de Brasília foi o mesmo do voo de volta, com exceção do maquiador e influenciador digital, Agustin Fernandez, amigo pessoal de Damares e Michelle, que também esteve no trajeto de São Paulo a Brasília.

Damares Alves solicitou as viagens com a justificativa de ir a um evento do Patria Voluntária, programa coordenado pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

A ação contraria um decreto do Governo Federal de março de 2020 que determina que “a comitiva que acompanha a autoridade na aeronave do Comando da Aeronáutica terá estrita ligação com a agenda a ser cumprida, exceto nos casos de emergência médica ou de segurança”.

Na noite de sábado, Damares e Michelle Bolsonaro participaram do do aniversário de Agustin Fernandez, em um restaurante conceituado de Moema, bairro nobre de São Paulo.

A festa contou com um bolo de quatro andares, mesa de doces, espumantes, vinhos e uma cabine de fotos.

Questionada pelo jornal O Globo sobre a viagem, a ministra não apresentou justificativa.

“A gente vai explicar. Tem algum impedimento na lei?”, questionou a ministra ao jornal.

Mais tarde, em nota publicada para a imprensa, o Ministério da Família, Mulher e Direitos Humanos afirmou que todos os parentes de MIchelle Bolsonaro são voluntários do programa Pátria Voluntária.

“Este ministério considera que não houve qualquer irregularidade no transporte da comitiva”, diz o texto.

A pasta declara ainda que o maquiador Agustin Fernandez foi incluído no voo de volta como voluntário do programa, pois participou da organização de casamentos comunitários no escopo do projeto.

A assessoria de Michelle Bolsonaro se limitou a dizer que o ministério de Damares daria as devidas excplicações.

O Ministério do Turismo publicou nota dizendo que “cumpriu extensa agenda de trabalho nos municípios de São Paulo e Boituva”, mas não explicou a presença da mulher do ministro nas viagens.

Em entrevista ao Extra, a advogada Vera Chemim – mestre em direito público administrativo – apontou que a conduta infringe os princípios da moralidade e impessoalidade na administração pública, previstos pela Constituição.

“Você está usando um bem público, que tem que ser utilizado estritamente para o exercício da função pública daquela pessoa. Eu colocaria a moralidade e a impessoalidade (como princípios violados). Michelle Bolsonaro em cerimônias de governo”, afirmou.

Nas redes sociais, políticos de oposição e internautas consideraram o caso uma “mamata” – no sentido de funcionários públicos que usam o Estado e seus cargos para seus interesses pessoais, mantendo apoio ao Governo por receber benesses em troca.

Inclusão de parentes de Michelle Bolsonaro contraria decreto do Governo Bolsonaro

O decreto que regula os voos da FAB, foi feito em março de 2020, após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se irritar com o que considerou mau uso de aeronaves, na época.

No episódio, o então secretário-executivo da Casa Divil, Vicente Santini, perdeu o cargo depois de usar um jato da FAB para ir de Davos, na Suíça, até a Índia.

Bolsonaro criticou o secretário na época. Afirmou que a conduta era “imoral”, pois os ministros costumavam usar voos comerciais para evitar gastos.

“”Inadmissível o que aconteceu. Já está destituído da função de executivo do Onyx. Destituído por mim. Vou conversar com Onyx para decidir quais outras medidas podem ser tomadas contra ele. É inadmissível o que aconteceu, ponto final”, disse Bolsonaro, na ocasião.

Santini é amigo pessoal da família BOlsonaro e, em setembro, assumiu novo cargo no Governo Federal, passando a atuar como assessor do então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Related posts

Explicando uso de termos pejorativos, Bolsonaro repete o erro: “Cabeçudo”

Rafaele Oliveira

Bolsonaro foi internado por comer camarão sem mastigar

João Baricatti

Anvisa autoriza vacina da Pfizer em crianças de 5 a 11 anos

João Baricatti

Leave a Comment