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Damares Alves reclama por cobrança de posicionamento no caso Moïse

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Damares Alves, atual ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, reclamou nesta quinta-feira (3) do que ela chama de “cobrança muito grande” para que ela se manifeste sobre um caso que fere de maneira direta diversos direitos humanos.

Damares está sendo muito cobrada para se manifestar sobre o caso de Moïse Kabagambe, o jovem congolês assassinado por apenas pedir o dinheiro de seu trabalho. Mesmo sendo um caso de repercussão internacional e que seria pauta do Ministério dos Direitos Humanos em qualquer governo sério, a ministra prefere não se posicionar (mostrando muito bem qual é sua posição).

Quando questionada por jornalistas no Palácio do Planalto, a ministra afirmou que o ministério “já tomou” as devidas providências, mas não disse quais são.

Já tomou, já tomou [providências]. Deixe eu falar uma coisa. Há uma cobrança muito grande que a ministra se manifeste em todos os casos. Mas cada caso é cuidado por uma secretaria. E, imediatamente, quando nós somos acionados, a gente toma medidas imediatas“, disse Damares, reclamando que as pessoas estão cobrando para que ela faça o mínimo (o que já é esperar muito) com seu cargo.

Esse caso está sendo cuidado pelo nosso ministério por duas secretarias, Secretaria Nacional de Promoção da Igualdade Racial e a Secretaria Nacional de Proteção Global. Nós tivemos várias iniciativas“, completou, sem descrever em qualquer detalhes quais ações o ministério ou as secretarias tomaram.

Essa não é a primeira vez que Damares Alves reclama desse tipo de cobrança. Em uma rede social, nesta quarta-feira (2), a ministra disse: “não dá pra vir pra rede social o tempo todo falar tudo o que estamos fazendo“, além de alegar que o ministério trabalha em “em silêncio“.

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 Damares acha mais importante falar que gravidez na adolescência é culpa do TikTok do que falar sobre Moïse (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O ministério nunca fez questão de trabalhar de maneira silenciosa em outros casos, mas quando a vítima é um jovem negro congolês, as coisas são diferente. Damares prefere não falar nada sobre o assassinato de Moïse, mas não hesita por um minuto antes de dizer que a culpa da gravidez na adolescência é do TikTok.

Em 6 anos 5 congoleses são mortos no Brasil e a Embaixada pede explicações

Em um documento enviado ao Governo brasileiro na última segunda-feira (31), a Embaixada da República Democrática do Congo no Brasil cobrou explicações de autoridades sobre o assassinato de Moïse Kabagambe no dia 24 de janeiro. A embaixada afirma que há outros quatro casos de congoleses assassinados no país de forma violenta e declarou que aguarda o resultado das investigações policiais.

Segundo a embaixada, a notícia do assassinato de Moïse foi recebida com “indignação” no Congo, assim como a dos assassinatos dos demais congoleses. A Embaixada ressalta que Moïse foi espancado com pelo menos 30 pauladas e se tornou o quinto congolês morto no Brasil nos últimos seis anos.

Segundo, Mutombo Bakafwa Nsenda, embaixador do Congo no Brasil, ele nunca obteve respostas do Ministério das Relações Exteriores quando procurou a pasta para tratar sobre o assassinato de congoleses no Brasil.

Enviamos cartas ao Itamaraty dizendo que a Justiça precisava ser feita. Todas as vezes em que escrevemos, nunca tivemos uma resposta. O último caso foi o de um rapaz assassinado na prisão por outros prisioneiros, que estavam com ele na mesma cela. Contatamos o Itamaraty e não tivemos nenhuma resposta – é um caso que aconteceu há mais de seis meses e não houve reparação judicial ou civil para a família dele”, afirmou.

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