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CPI da COVID faz história ao derrotar Bolsonaro por 7 X 4

CPI aprova relatório final

Terminou em 7 X 4 o placar mais insólito e eloquente da história das investigações parlamentares no País. Por previsíveis 7 votos contra apenas 4, a CPI da COVID apontou o Presidente da República como autor de dez crimes gravíssimos em sua tresloucada condução do combate à pandemia no Brasil.

Além de Bolsonaro, a CPI indiciou outras 77 pessoas e duas empresas por condutas ilícitas que culminaram com a construção do caos sanitário que redundou na morte de mais de 600 mil brasileiros.

Vinte e cinco delas foram apontadas como produtoras e disseminadoras das notícias falsas. Elas turvaram o ambiente técnico-científico que deveria ter orientado as ações governamentais. Entre estes estão Carlos e Eduardo, os filhos de Bolsonaro que, sob coordenação do pai, comandam o esquema de fake news que desvirtuou o enfrentamento da pandemia.

Bolsonaro cometeu 10 delitos graves, inclusive contra a humanidade e de propagação de epidemia

O Presidente da República ocupa o lugar central na imensa cadeia criminosa que se acercou das ações governamentais. É ele o principal responsável pela cadeia de erros que matou centenas de milhares de pessoas ao promover o charlatanismo, sabotar a aquisição de vacinas e endereçar terapêuticas cujo único objetivo era turvar a necessidade de medidas não-farmacológicas como o distanciamento social e o uso de máscaras.

De acordo com a peça produzida pelo Senador Renan Calheiros (PMDB/AL), o governo “assentiu com a morte” e espalhou deliberadamente o vírus para buscar uma absurda imunidade de rebanho. PAra anto, valeu-se de um gabinete paralelo que tinha como função bypassar o arcabouço de técnicas existentes para mitigar o problema.

Os crimes imputados ao Presidente da República podem levá-lo para a cadeia por 40 anos. Contra ele, a CI elencou os seguintes delitos: epidemia que resultou em mortes, infração de medida sanitária, charlatanismo, incitação crime, falsificação de documento, prevaricação, uso irregular de dinheiro púbico, crimes contra a humanidade (extermínio e perseguição, entre outros), violação de direito social e crime de responsabilidade.

Ajustes de última hora

Por pressão do Senador Eduardo Braga (PMDB/AM), que ameaçou votar contra o relatório, o relator Renan Calheiro acatou a sugestão de indiciamento do governador Wilson Lina e do secretário de Saúde do Amazonas Marcellus Campêllo.

Por falta de consenso, o ministro Paulo Guedes, da Economia, escapou de ser incluído no rol de indiciados. O senador Luiz Carlos Heinze (PP/RS), que chegou a ter o indiciamento recomendado, também escapou na última hora e ficou fora da relação de culpados .

Ao final da sessão de votação, os senadores fizeram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas da pandemia no Brasil.

Agora, o relatório segue para o Ministério Público. Os indiciados que têm foto especial terão que aguardar a manifestação da Procuradoria-Geral da República.

No caso de Bolsonaro, a sorte está nas mãos do Procurador Antônio Augusto Aras, que tem se mostrado um aliado fidelíssimo do Presidente da República. É dele a decisão de denunciá-lo ou não ao STF.

Como votaram os senadores

Parlamentares que votaram a favor do relatório final:

  • Eduardo Braga (MDB-AM)
  • Tasso Jereissati (PSDB-CE);
  • Otto Alencar (PSD-BA)
  • Humberto Costa (PT-PE)
  • Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
  • Omar Aziz (PSD-AM);
  • Renan Calheiros (MDB-AL)

Votaram contra:

  • Jorginho Mello (PL-SC)
  • Luis Carlos Heinze (PP-RS);
  • Eduardo Girão (Podemos-CE);
  • Marcos Rogério (DEM-RO).

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