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Covid-19: Bolsonaro diz que sua filha de 11 anos não irá se vacinar

bolsonaro e sua filha Laura

O presidente Jair Bolsonaro (PL) anunciou na última segunda-feira (27) que sua filha Laura, de 11 anos, não receberá a vacina contra a covid-19. A declaração foi feita durante entrevista a jornalistas na cidade de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, onde está tirando férias com a família.

Ao ser questionado referente a vacinação em crianças a partir de 5 anos, Bolsonaro disse esperar “que o Judiciário não interfira”, reforçando que não permitirá que sua filha seja vacinada. “Estamos conversando com o Queiroga nesse sentido. Ele, dia 5, deve ditar normas de como é que deve se vacinar crianças. Eu espero que não haja interferência do Judiciário, porque a minha filha não vai se vacinar — deixar bem claro. Ela tem 11 anos de idade”, afirmou o presidente.

A questão da imunização de crianças já tinha sido abordada pelo presidente em sua costumeira live semanal, realizada no dia 16 de dezembro – mesmo dia em que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a aplicação da vacina da Pfizer em crianças de 5 a 11 anos.

Na ocasião, Bolsonaro questionou a decisão da Agência e disse que iria avaliar com sua esposa, a primeira-dama Michelle Bolsonaro, se a filha de 11 anos receberia o imunizante. Segundo ele, essa é uma decisão “que cabe aos pais”.

“Você pai, você mãe, é responsável pelo teu filho. Vai ler o comunicado público da Anvisa. […] Você tem o direito de saber o nome das pessoas que aprovaram a vacina a partir de 5 anos para seu filho. Tenho uma filha de 11 anos e vou estudar com a minha esposa qual decisão que vamos tomar”, declarou o presidente em live no dia 16 de dezembro.

Bolsonaro diz que sua filha de 11 anos não irá se vacinar contra covid-19

Tudo indica que o chefe de Estado e sua esposa estudaram o assunto e chegaram a uma conclusão. Aos jornalistas em São Francisco do Sul, Bolsonaro disse que a vacinação de crianças “não se justifica” e que “o mundo ainda tem muita dúvida.”

“A questão da vacina para criança é muito incipiente ainda, o mundo ainda tem muita dúvida e não vêm morrendo crianças que justifique uma vacina nas crianças. Não justifica isso daí”, declarou.

Sobre a segurança da vacinação em crianças a partir de 5 anos e contrariando as falas do presidente, A Associação Médica Brasileira (AMB) afirmou, em nota, ser “integralmente a favor” da vacinação contra a covid-19 para crianças de 5 a 11 anos, revelando ainda que, nos Estados Unidos, mais de 7 milhões de crianças já receberam a vacina da Pfizer, o que mostra que a efetividade da vacinação “em mundo real”.

Além da AMB, a secretária extraordinária de enfrentamento à covid-19, Rosana Leite, divulgou uma nota técnica, que foi enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que a vacina contra covid aplicada em crianças de 5 a 11 anos é sim segura. “Ccientistas realizaram testes clínicos com milhares de crianças e nenhuma preocupação séria de segurança foi identificada“, diz a secretária na nota.

Sobre a quantidade de crianças mortas vítimas de covid-19 “não justificar uma vacina”, os números mostram o contrário. Segundo dados da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da covid-19, a cada dois dias, uma criança morre de covid-19 no Brasil. Até o dia 6 de dezembro, o País já havia registrado 301 mortes de crianças entre 5 e 11 anos em decorrência do coronavírus, desde o início da pandemia.

Bolsonaro impedir que a filha receba a vacina pode ser questão para o Conselho Tutelar avaliar

O deputado federal Bohn Gass (PT-RS) disse que a decisão do presidente Jair Bolsonaro e sua esposa, de não deixarem que a filha Laura, de 11 anos, receba o imunizante contra a covid-19 pode ser uma questão a ser avaliada pelo Conselho Tutelar de Brasília. Ele argumenta que os pais não podem colocar a saúde de seus filhos em risco.

A vacinação em crianças está sendo discutida em uma consulta pública do Ministério da Saúde. No dia 4 de janeiro uma audiência deverá ser realizada, a fim de debater o assunto. Uma decisão final será divulgada pela pasta no dia 5 de janeiro.

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