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Congolês é espancado até a morte após cobrar pagamento em quiosque no RJ

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No último dia 24, o congolês Moïse Kabamgabe, de 24 anos, foi brutalmente assassinado por um grupo de homens que o espancaram com pedaços de pau na praia da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.

Segundo familiares da vítima e testemunhas, ele trabalhava como ajudante de cozinha no quiosque Tropicália, localizado na altura do posto 8. Por volta das 21h, no final do expediente, ele foi cobrar o gerente o pagamento de duas diárias atrasadas antes do crime.

A comunidade congolesa no Rio de Janeiro divulgou uma nota onde relata que “o gerente começou a lhe agredir junto com seus amigos, 5 pessoas no total”. Os criminosos usaram pedaços de pau e um taco de baseball. Imagens de segurança instaladas no quiosque flagraram a agressão.

“Corda, amarram ele junto com as pernas e mãos. A polícia veio depois de 20 ou 40 minutos”, disse ao jornal O Globo o irmão da vítima, Djodjo Baraka Kabagambe.

As agressões demoraram pelo menos 15 minutos. Moïse foi encontrado em uma escada, amarrado e já sem vida. Os parentes só souberam do assassinato na terça-feira (25), quase 12 horas após o crime.

“Quatro pessoas, cinco pessoas pra matar ele”, disse a mãe, Ivana Lay.

Parentes relataram que assistiram as imagens do crime.

“O início da gravação que eu vi é ele reclamando com o gerente do quiosque. Alguns minutos seguintes, o gerente pegou um pedaço de madeira para ameaçar ele. Até então, ele estava só recuando. E o cara foi atrás dele. Como ele estava reivindicando alguma coisa, ele pegou uma cadeira e dobrou para se defender. Ele não chegou a atacar ninguém. O gerente chamou uma galera que estava na frente do quiosque. Até então tinha só um sentado”, contou Yannick Kamanda, primo da vítima.

Segundo ele, as agressões se agravaram na sequência.

“Veio uma galera que o arremessou no chão, tentando dar um golpe de mata-leão nele. Vieram mais algumas pessoas bater nele com madeira, veio outro com uma corda, amarrou as mãos e as pernas para trás, passou a corda pelo pescoço. Ficou amarrado no mata-leão, apanhando. Tomando soco e taco de beisebol nas costelas. Até ele desmaiar”, disse o primo.

Ainda segundo o relato do primo, o dia de trabalho continuou, mesmo com a morte de Moïse.

“Eles foram embora e ficou só o gerente do quiosque. E ele deitado no chão, como se nada estivesse acontecendo. Trabalhando, atendendo cliente. E o corpo lá”, afirmou Yannick.

O corpo de Moïse Kabamgabe foi enterrado no Cemitério de Irajá, na Zona Norte do Rio, no domingo (30). O sepultamento foi marcado por protestos.

Família denuncia retirada de órgãos sem autorização

O crime veio à tona na imprensa após a família do congolês realizar um protesto no sábado (29), em que também denunciaram que os órgãos da vítima foram retirados sem autorização no Instituto Médico Legal (IML).

“Quando a notícia chegou até nós, fomos no IML na terça de manhã e a gente já encontrou ele sem órgão nenhum, sem autorização da mãe, nem autorização dele de ser doador de órgão. Onde estão os órgãos? Nós não sabemos. Em menos de 72h ele foi dado como indigente. Infelizmente, a gente vive aqui, mas estamos na insegurança”, diz a prima Faida Safi.

O crime é investigado pela Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro.

A Polícia Civil informou que já ouviu oito pessoas e está analisando as imagens das câmeras de segurança. A Corporação negou que os órgãos da vítima tenham sido retirados sem autorização no IML.

“As investigações estão em andamento na Delegacia de Homicídios da Capital A perícia foi realizada no local e imagens de câmeras de segurança foram analisadas. Diligências estão em curso para identificar os autores”, diz a Polícia Civil.

Já a Polícia Militar relatou que não foi chamada para interromper as agressões.

“Uma equipe do 31º BPM que passava pelo local avistou uma viatura do SAMU e foi verificar, ou seja, nós não fomos acionados. No local, o óbito da referida vítima já tinha sido atestado pelo SAMU. Os policiais, então, acionaram a polícia civil (DH), que assumiu a ocorrência”, relata a corporação.

Moïse Kabamgabe nasceu em 4 de abril de 1997 na República Democrática do Congo, na África. Conhecido como Soldado, ele deixou sua terra natal em 2011, rumo ao Brasil, par fugir da guerra e da fome.

“Meu filho cresceu aqui, estudou aqui. Todos os amigos dele são brasileiros. Mas hoje é vergonha. Morreu no Brasil. Quero justiça”, afirmou Ivana Lay, mãe de Moïse.

“Uma pessoa de outro país que veio no seu país para ser acolhido. E vocês vão matá-lo porque ele pediu o salário dele? Porque ele disse: ‘Estão me devendo’?”, questionou Chadrac Kembilu, primo de Moïse.

Ele cresceu em um lar repleto de amor, segundo publicações da Comunidade de Congoleses do Rio de Janeiro em um perfil do Facebook. Também era uma pessoa divertida e prestativa para os demais.

“Moise era um menino que irradiava alegria ao seu redor. Era brincalhão e arrancava risos falando francês de forma errada propositalmente de forma errada. A sua frase favorita era “Je suis desolé” (sinto muito). Era amado por todos, sempre disposto a ajudar quem precisava. Era quem fazia churrasco nas festas. Moise viveu a vida plena e intensamente. Era aquele amigo com quem você podia contar em qualquer situação e a qualquer momento”, diz uma nota da Comunidade de Congoleses do Rio de Janeiro.

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