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Comentarista da Jovem Pan que fez fala antissemita é funcionário na Alesp e já atacou a Umbanda

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O comentarista da Jovem Pan, José Carlos Bernardi, que afirmou ao vivo na rádio bolsonarista que o Brasil poderia ser desenvolvido igual a Alemanha “se a gente matar um monte de judeus e se apropriar do poder econômico deles”, é funcionário comissionado do deputado estadual de São Paulo, Campos Machado (Avante), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Em outubro, o comentarista também virou notícia na imprensa por chamar uma entidade da Umbanda de “demônio”.

Bernardi foi contratado por Campos Machado em maio e trabalha como assessor de imprensa recebendo salário público mensal de R$ 12.144,27.

Diante da repercussão da fala antissemita do comentarista, o deputado estadual do Avante marcou uma reunião na noite de terça-feira (16) com outros assessores para decidir se Bernardi seguiria ou não como assessor de imprensa em seu gabinete.

A coluna da jornalista Mônica Bérgamo na Folha de SP procurou a Jovem Pan para perguntar se a presença de um funcionário comissionado da Alesp na rádio configuraria algum conflito de interesses nas publicações.

Aliada do Governo Bolsonaro, a Jovem Pan se recusou a responder.

A fala antissemita do comentarista foi repudiada por entidades judaicas, como a Judeus Pela Democracia.

”Não aceitaremos a tentativa de alguns grupos e instituições de silenciar quem critica o terror que o projeto político-ideológico do governo Bolsonaro leva a cabo”, diz a entidade. “Recuperar a memória do Holocausto para lidar com o presente não é banalizá-la. É uma forma de melhor combater as políticas análogas ao nazifascismo de propagação do vírus, de genocídio indígena, de difusão de fake news e discursos de ódio.”

José Carlos Bernardi tem 58 mil seguidores no Twitter e se descreve como um “jornalista, cristão e empreendedor social”.

Após a repercussão negativa, a Jovem Pan publicou nota em que o comentarista pede desculpas pela declaração.

“Peço desculpas pelo comentário infeliz que fiz hoje no jornal da manhã, primeira edição, ao usar um triste fato histórico para comparar as economias brasileira e alemã”, diz a nota.

“Fui mal-entendido. Não foi minha intenção ofender a ninguém, a nenhuma comunidade, é só ver o contexto do raciocínio. Mas, de qualquer forma, não quero que sobrem dúvidas sobre o meu respeito ao povo judeu e que, reitero, tudo não passa de um mal-entendido. Obrigado”, escreveu.

A Jovem Pan se limitou a dizer que as “visões de seus comentaristas não refletem necessariamente a opinião da empresa”.

“O grupo Jovem Pan reforça que as visões de seus comentaristas não refletem necessariamente a opinião da empresa”, disse a rádio bolsonarista, em nota.

Bernardi já classificou entidade da Umbanda como “demônio”

A despeito das desculpas do comentarista e da Jovem Pan, o ataque à comunidade judaica não é o único caso de intolerância religiosa protagonizada por José Carlos Bernardi.

Em outubro, ao comentar a resistência do senador e presidente da CCJ do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AL), em pautar a sabatina do ex-chefe da AGU, André Mendonça, ao Supremo Tribunal Federal (STF), o comentarista classificou uma entidade da Umbanda como um “demônio”.

“É isso mesmo. Este senador Davi Alcolumbre (que segura a sabatina) está mais para Tranca Rua, aquele demônio pra quais são feitas oferendas para trancar a rua, trancar caminhos!”, disse Bernardi em 12 de outubro, durante um programa da Jovem Pan.

O comentarista se referê à entidade Exu Tranca Rua – uma divindade em religiões afro cultuada principalmente por sua característica de ajudar na abertura dos caminhos desejados por aqueles que são fiéis a ele.

A Umbanda não acredita na existência de um “demônio”.

Na impunidade, comentarista é reincidente na intolerância religiosa (Análise)

José Carlos Bernardi deveria ser acionado na Justiça pela intolerância religiosa que expressa em suas declarações na rádio Jovem Klan.

O artigo 208 do Códio Penal é claro ao definir o crime de intolerância religiosa.

“Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”.

A pena é de detenção, de um mês a um ano, ou multa.

Mas nada se falou sobre processos ou denúncias judiciais contra o bolsonarista. Neste sentido, a impunidade ao “cristão de bem” da Jovem Pan garante que novas agressões e crimes sejam cometidos por ele e outras pessoas.

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