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Com 5 congoleses mortos no Brasil em 6 anos, Embaixada do Congo cobra explicações do Brasil

com-5-congoleses-mortos-no-brasil-em-6-anos-embaixada-do-congo-cobra-explicacoes-do-brasil Moïse

Em documento enviado ao Governo brasileiro na última segunda-feira (31), a Embaixada da República Democrática do Congo no Brasil cobrou explicações de autoridades sobre a morte de Moïse Mugenyi Kabagambe, de 24 anos, ocorrida na na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, no último dia 24. A representação diplomática afirmou que há outros quatro casos de congoleses assassinados no país de forma violenta e declarou que aguarda o resultado das investigações policiais.

O documento aponta que a informação do assassinato de Moïse foi recebida com “indignação” no Congo, assim como os assassinatos dos demais congoleses. A Embaixada ressalta que Moïse foi espancado com pelo menos 30 pauladas e se tornou o quinto congolês morto no Brasil nos últimos seis anos.

Em entrevista ao G1 (Grupo Globo), o embaixador do Congo no Brasil, Mutombo Bakafwa Nsenda, afirmou que nunca obteve respostas do Ministério das Relações Exteriores quando procurou a pasta para tratar sobre o assassinato de congoleses no Brasil.

“Enviamos cartas ao Itamaraty dizendo que a Justiça precisava ser feita. Todas as vezes em que escrevemos, nunca tivemos uma resposta. O último caso foi o de um rapaz assassinado na prisão por outros prisioneiros, que estavam com ele na mesma cela. Contatamos o Itamaraty e não tivemos nenhuma resposta – é um caso que aconteceu há mais de seis meses e não houve reparação judicial ou civil para a família dele”, disse o diplomata.

Em resposta também enviada ao G1, o Itamaraty declarou que lamenta as mortes e afirmou que as investigações são competência dos órgãos do Rio de Janeiro.

“O Itamaraty lamenta profundamente o ocorrido e compartilha o pesar da família da vítima”, disse a pasta. “A apuração dos fatos e a persecução criminal dos responsáveis competem aos órgãos de segurança e judiciários no Rio de Janeiro, aos quais poderão ser dirigidas consultas adicionais sobre o caso”, disse o ministério.

Segundo o embaixador do Congo, Moïse Mugenyi Kabagambe estava sob proteção do Governo do Brasil.

“A posição do governo congolês está relacionada ao status de Moïse – ele era um refugiado que chegou ao Brasil em 2014. Como todo refugiado, ele e a família estão sob proteção do estado brasileiro. Nossa embaixada escreveu oficialmente ao Itamaraty para relatar os fatos que nos foram comunicados no Rio”, contou Nsenda, que não recebeu resposta.

O embaixador do Congo no Brasil declarou ainda que Moïse não tinha registro na embaixada por ter chegado ao país como refugiado político.

“Este é, sobretudo, o caso de um refugiado. Ele não estava registrado ou era conhecido pela embaixada – fomos informados apenas depois da morte dele. Mas como se trata de um compatriota, a embaixada escreveu imediatamente ao Itamaraty e também informou o governo da República Democrática do Congo”, informou o embaixador.

Nos registros da Cáritas, organização que coordena o Programa de Atendimentos a Refugiados, Moïse Kabagambe chegou ao Brasil em 2011, aos 14 anos.

Segundo a coordenadora da organização, Aline Tuller, Moïse era o irmão do meio da família que, junto com o mais velho e o caçula, saíram de avião da República Democrática do Congo e pousaram em solo brasileiro.

“Como eram muito jovens, a gente acaba dedicando muito tempo. Tem que acompanhar como vai na escola, o que está estudando, o trabalho para o irmão mais velho… (…) Eles sempre foram meninos muito educados, muito cordiais. E chegaram bem novinhos. É muito difícil de acreditar”, diz Aline.

Congolês foi assassinado por engano em 2018

Um dos 5 congoleses mortos de forma violenta no Brasil nos últimos seis anos foi assassinado por engano, em Uberlândia (MG), em 2018.

O mecânico Jacques Onza foi atingido por três tiros quando estava em um bar com amigos e a noiva.

Ele tinha uma filha de 10 anos no Congo que morava com a família dele.

Na época do crime, o delegado responsável pelo caso, Fábio Ruz, afirmou que Jacques foi confundido com um desafeto do autor dos disparos.

“Os dois são altos, negros e falam francês. Além disso, a verdadeira pessoa que queriam matar frequenta bares e jogos de sinuca, e no dia do crime Jacques também estava em um bar. Infelizmente foi uma coincidência. O verdadeiro alvo foi ouvido pela polícia e está com bastante medo de ser assassinado”, acrescentou o delegado na época.

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