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O isolamento de Bolsonaro e o triunfo de Lula na Europa: quem paga a conta?

Bolsonaro e Xi

Nem tudo o que diz respeito à imagem do Brasil lá fora é motivo de vexame e vergonha. Existe dignidade e respeito pelo Brasil no mundo. Mais do que empatia, existe mesmo um certo carinho compassivo. Pelo Brasil, não pelo governo brasileiro.

O périplo de Lula pela Europa é a melhor prova disso. Recebido como Chefe-de-Estado por Macron, aplaudido de pé no parlamento Europeu, palestrando no SicencePo Lula contou ao planeta que ainda há um Brasil sob os escombros que o fascismo bolsonarista produziu até aqui.

O contrate no tratamento dispensado a ele agora e a Bolsonaro dias atrás expõe para o mundo a diferença entre o Brasil que resiste e o Brasil que segue destruindo as instituições e a democracia.

Muitos dirão que a recepção festiva de Macron a Lula foi um desagravo ao comportamento tosco de atual presidente brasileiro, que deixou o ministro de Relações Exteriores da França Jean-Yves Le Drian esperando e foi cortar o cabelo dois anos atrás.

Outros se lembrarão da galhofa que Bolsonaro fez ao endossar um tuíte que comparava a esposa de um e a de outro (ao lado).

Mas isso não tira a justeza do desagravo nem desmerece a contradita. No campo da diplomacia, pau que dá em Chico também bate em Francisco.

O problema é quando a China diz “passe outro dia, ministra”

Esse jogo de símbolos é muito importante para que os brasileiros se lembrem de que há vida e gente inteligente, respeitável e bem-quista além dos domínios do bolsonarismo. E que logo o Brasil poderá se recuperar da distopia que tomou as nossas almas.

Mas há algo muito mais grave do que feitos e desfeitas presidenciais. Há também prejuízos de vulto para os negócios brasileiros. E não são prejuízos simbólicos — são financeiros mesmo.

O caso da carne brasileira é emblemático. Três meses atrás, dois casos autóctones de Mal da Vaca Louca surgiram em Mato Grosso do Sul. Mas logo se provou que um não tinha nada a ver com o outro. A China fechou as portas à nossa carne e nunca mais reabriu, ainda que as suspeitas que pairavam sobre a saúde do rebanho tenham sido dissipadas.

O incidente poderia ter sido resolvido em uma semana, como foram resolvidos outros casos da mesma natureza ao redor do mundo. Mas até hoje o mercado chinês continua proibido para a carne brasleira.

Esse é um mercado de US$ 10 bilhões por ano. Que foi construído com o esforço de diplomatas e empresários durante décadas de negociações árduas.

A dimensão do negócio levou a ministra Tereza Cristina, da Agricultura, a procurar seu homólogo chinês. Ela tentou um contato por telefone e não conseguiu sequer marcar uma conversa. Do outro lado da linha, alguém disse a ela que o ministro da agricultura da China estava sem espaço na agenda. Ela que passasse outra hora.

Mais do que uma vergonha pública, um vexame completo! Certamente a secretária que mandou Tereza Cristina passear o fez para tripudiar as malcriações de Bolsonaro, de seu ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo e dos filhos falastrões que atacaram duramente a China por puro preconceito racial.

Pensaram que a refrega não viria? Esqueceram-se da sábia paciência oriental.

O problema é que a conta não vai para o governo. Quem está pagando pela falta de educação dos nossos governantes são os produtores brasileiros.

O preço da arroba do boi gordo caiu mais de 20% nos dias que se seguiram ao bloqueio chinês. Uma arroba deveria esta valendo R$ 320 para o produtor. Mas as corações vieram para menos de R$ 250 em centros produtores como o Noroeste Paulista e o triângulo Mineiro.

Como se vê, a diplomacia é uma arte que torna possível mensurar o preço da tosquidão, da arrogância e do preconceito. No caso de Bolsonaro, esses 10 bilhões de reais são apenas o couvert. Some-se a isso a perda do Fundo Amazônia, o lugar na OCDE, a suspensão do acordo União Europeia – Mercosul e você vai ver que deixar o Bolsonaro com cara de bobo pode até ser muito excitante e produtivo.

Mas é apenas a menor parte da vingança.

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