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Caminhoneiros marcam greve com exigências a Bolsonaro: “Categoria foi traída”

greve dos caminhoneiros

Após uma reunião no Rio de Janeiro durante o fim de semana, grupos de caminhoneiros aprovaram um “estado de greve” de 15 dias, a partir de 1º de novembro, caso o Governo Bolsonaro não atenda suas reivindicações.

Os caminhoneiros exigem a mudança da política de preços da Petrobras para reduzir a flutuação do diesel; cumprimento do valor mínimo do frete rodoviário e aposentadoria especial para a categoria (aos 25 anos de trabalho).

O diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), Carlos Alberto Litti Dahmer, confirmou que a categoria deve entrar em greve a partir de novembro.

Ele sinaliza que o governo federal não atendeu demandas de setor: “70% da categoria acreditou nas propostas do governo e se considera traída por não ter cumprido”, afirmou Dahmer em entrevista ao Poder 360, neste domingo (17).

Vídeos de caminhoneiros revoltados com Bolsonaro começaram a circular desde o novo anúncio de greve.

“Ele nos traiu, mano. Ele nos traiu”, afirma um caminhoneiro em vídeo viral nas redes sociais.

Ao UOL, Lucas Santos Carvalho, do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam) afirmou que o Governo Bolsonaro tem 15 dias para se posicionar em relação às demandas da categoria.

“Ficou decidido que vamos dar 15 dias para o governo responder”, declarou. “Se não houver resposta de forma concreta em cima dos direitos do caminhoneiro autônomo, dia 1º de novembro, Brasil todo parado aí”.

Presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e conhecido como um dos principais articuladores da greve de caminhoneiros de 2018 que paralisou o país durante o Governo Temer, Wallace Landim, o Chorão,

“A nossa categoria está na beira do abismo. Hoje ficou decidido que estamos em estado de greve pelos próximos dias. E se as nossas reivindicações, principalmente com relação ao preço do diesel, não forem aceitas, a gente começa uma greve no dia 1º”, declarou.

Divergências na categoria

Apesar da aprovação do “estado de greve”, a paralisação do setor não é unianimidade entre os caminhoneiros.

O presidente da Abcam, José da Fonseca Lopes, afirmou ao UOL que a entidade não apoia a greve. “A pauta deles é muito extensa, e o principal para ser resolvido agora, que é a redução do preço do diesel, acaba se perdendo”, afirmou

Governo minimiza possibilidade de greve dos caminhoneiros

O Governo Federal avalia que a convocatória de greve segue a linha de ameaças feitas no passado e entende que a paralisação definitiva não deve ocorrer. Desde 2018, já foram 16 tentativas de paralisação malsucedidas, sendo quatro delas neste ano. A reportagem apurou ainda que a mudança do preço dos combustíveis, a partir de uma “canetada”, também não é uma possibilidade.

Oficialmente, o governo não comentou o assunto.

A estratégia dos líderes da categoria é subir o tom. A Abrava, o CNTRB e a CNTTL deve entregar um documento ao Governo Bolsonaro mostrando unidade das três entidades em torno da greve.

“A nossa pauta é a mesma desde os atos de 1º de fevereiro. Não é um assunto novo para o governo nem para o STF ou para o Legislativo, que conhecem nossas demandas”, afirmou o diretor da CNTTL, Carlos Alberto Litti Dahmer. “Agora, ou o governo senta com a categoria para fazer um trabalho, chama as partes envolvidas – Petrobras, STF, Congresso – ou paramos o País”, completou o presidente do CNTRC, Plínio Dias, em referência à greve de 2018.

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