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Bolsonaro promoveu desinformação em live sobre urnas, diz relatório da PF

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Relatório da Polícia Federal (PF) concluiu que o presidente Jair Bolsonaro (PL) agiu na “promoção da desinformação” em live sobre as urnas eleitorais, do dia 29 de julho deste ano. Durante a transmissão ao vivo, Bolsonaro questionou a segurança do sistema eletrônico de votação.

De acordo com o relatório final do inquérito sobre a live realizada por Bolsonaro e transmitida em suas redes sociais e na TV Brasil, foi identificada “atuação direta e relevante do Exmo. Sr. Presidente da República Jair Messias Bolsonaro na promoção da ação de desinformação.” O documento foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela delegada federal Denisse Dias Rosas.

Para a PF, a narrativa usada durante a transmissão foi “enviesada”, uma vez que as informações divulgadas pelo presidente apontavam para supostas fraudes nas urnas eletrônicas, bem como para a sua hipotética fragilidade, embora o chefe de Estado tenha reconhecido que não possuía provas.

“A live presidencial foi realizada com o nítido propósito de desinformar e de levar parcelas da população a erro quanto à lisura do sistema de votação, questionando a correção dos atos dos agentes públicos envolvidos no processo eleitoral (preparação, organização, eleição, apuração e divulgação do resultado), ao mesmo tempo em que, ao promover a desinformação, alimenta teorias que promovem fortalecimento dos laços que unem seguidores de determinada ideologia dita conservadora”, diz trecho do relatório da PF.

Relatório da PF sobre a ‘live das urnas’ aponta que Bolsonaro usou discurso “enviesado”

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Durante live, Bolsonaro questionou a segurança do sistema eletrônico de votação. | Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE | TSE – Tribunal Superior Eleitoral | Flickr

Segundo o relatório da PF, Bolsonaro e os demais participantes da live divulgaram, “com dolo, consciência e livre vontade” uma “narrativa baseada em premissas falsas ou em dados descontextualizados”, defendendo uma “teoria da conspiração”, com o objetivo de “promover mais adesão de apoiadores e outros difusores aos interesses dessa organização.”

Ainda, que os responsáveis pela transmissão poderiam ter verificado melhor as informações passadas, o que não foi feito. “Mesmo com a possibilidade de realização de processos formais de verificação da confiabilidade e veracidade dos dados utilizados, o que poderia ser feito inclusive por órgãos do governo, nada foi checado”, diz o documento.

“Restou caracterizado pelas narrativas das pessoas envolvidas que a chamada live presidencial foi um evento previamente estruturado com o escopo de defender uma teoria conspiratória que os participantes já sabiam inconsistente, seja pelos alertas lançados pelos peritos criminais federais, seja porque a mesma fonte que forneceu o suporte (pesquisas na internet) também fornece dados que se contrapõem às conclusões alcançadas”, revela outro trecho do relatório.

Durante a investigação, a Polícia Federal ouviu várias pessoas, como o ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres – que participou da live sobre as urnas -, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos e o diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem.

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