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Beneficiado com prescrição, Dallagnol nega ter pedido adiamentos do caso PowerPoint no CNMP

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O ex-procurador da República, Deltan Dallagnol, usou seu perfil de Twitter nesta quarta-feira (09) para negar que pediu “sucessivos adiamentos” da apreciação do caso do PowerPoint no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que acabou prescrito.

Dallagnol foi alvo de reclamação de Lula no conselho em 2016, por conta da apresentação em slides de PowerPoint que a Operação Lava Jato realizou naquele ano, ao apresentar denúncia contra o ex-presidente, no caso do triplex do Guarujá (SP).

Na época, Lula pediu ao CNMP a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o então procurador, que coordenava a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba (PR) – entre outros pedidos.

O conselho adiou 42 vezes a análise do caso. Em agosto de 2020, após 4 anos com as reclamações de Lula paradas no órgão, o CNMP decidiu por unanimidade que arquivaria a ação contra Dallagnol.

O conselho concluiu que as penas que poderiam ser aplicadas ao então procurador já estavam prescritas. Com isto, Dallagnol se beneficiou com a prescrição que ele frequentemente critica em denúncias de corrupção.

Em tuítes, Dallagnol responde críticas e omite que foi beneficiado com prescrição

A prescrição no CNMP voltou á tona esta semana, após o Ministério Público Federal (MPF) reconhecer a prescrição do caso do triplex do Guarujá – que rendeu a Lula as condenações na Justiça que o tiraram das eleições presidenciais de 2018.

Após publicar nota em que vincula a prescrição do caso triplex com a impunidade em crimes de corrupção, Dallagnol foi contestado pelo advogado Augusto de Arruda Botelho e pelo professor Titular de Literatura Comparada da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), João Cezar de Castro Rocha, sobre a prescrição de seu caso no CNMP.

Arruda Botelho criticou no Twitter o que chamou de “cara de pau” do ex-procurador.

“A cara de pau de quem pediu por 41 vezes o adiamento do processo que respondeu no Conselho Nacional do Ministério Público até o caso….. PRESCREVER!”, disse o advogado, compartilhando nota em que Dallagnol vincula a prescrição do caso triplex do Guarujá (SP) com impunidade em casos de corrupção.

Respondendo a crítica, o ex-procurador negou que tenha pedido adiamento da apreciação do caso do Power Point no CNMP, mas não citou que foi beneficiado com prescrição e arquivamento da ação de Lula no conselho.

“Caro Augusto de Arruda Botelho, como bom advogado, você deveria checar os autos e ver que não pedi sucessivos adiamentos antes de propagar informações falsas repercutidas por militâncias sem compromisso com a verdade”, afirmou Dallagnol no tuíte.

João Cezar de Castro Rocha também questionou o ex-procurador sobre a prescrição no CNMP. Ao responder o professor, Dallagnol novamente negou ter pedido adiamentos no CNMP – e mais uma vez omitiu que foi beneficiado com a prescrição do caso PowerPoint.

“Eu NÃO pedi sucessivos adiamentos, basta checar os autos”. Além disso, o caso era um pedido de providências e NÃO um processo administrativo disciplinar punitivo”, afirma Dallagnol ao professor. “Aliás, só tive 2 processos administrativos disciplinares contra mim na história e os dois casos foram por exercício de liberdade de expressão, por criticar o STF e avaliar que Renan Calheiros não seria um bom presidente do Senado para a causa anticorrupção”.

O ex-coordenador da Lava Jato em Curitiba saiu do MPF recentemente e se filiará ao Podemos nesta sexta-feira (10) para concorrer cargo na Câmara dos Deputados em 2022.

No final de novemto, em entrevista ao podcast Flow, ele afirmou que a apresentação em Power Point sobre o ex-presidente Lula foi um “erro de cálculo” dos procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato.

“Aí a gente faz a entrevista coletiva do Lula. A gente já tinha feito ‘n’ entrevistas anteriores, usando lá apresentações, PowerPoints. A gente já tinha feito várias anteriores, só que não tinha tido aquela repercussão”, afirmou. “Erro de cálculo nosso… Foi um erro de conta nosso sobre o modo que pode ter gerado uma interpretação equivocada por parte da sociedade, mas a nossa intenção era de fazer exatamente o que a gente tinha feito em casos anteriores”.

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