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Barroso diz que Bolsonaro auxiliou “milícias digitais e hackers” ao vazar dados sigilosos do TSE

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Em tom visivelmente irritado, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luis Roberto Barroso, afirmou nesta terça-feira (01) que o presidente Jair Bolsonaro vazou dados sigilosos do TSE que auxiliam “milícias digitais e hackers” em eventuais invasões do sistema eleitoral brasileiro.

A declaração do ministro foi realizada na primeira sessão no TSE do ano. Barroso afirmou que “faltam adjetivos” para qualificar a atitude de Bolsonaro, que é investigado pelo vazamento de um inquérito sigiloso da Polícia Federal (PF) sobre um ataque hacker ao TSE.

Na semana passada, Bolsonaro foi intimado a depor, mas não compareceu, desobedecendo ordem judicial.

“Nós confiamos – porque precisamos confiar – na integridade dos membros da comissão para cumprirem a palavra de manter sob reserva as nossas conversas, para que não haja vazamentos indevidos. Sobretudo em matéria de cibersegurança, o sigilo é imprescindível por motivos óbvios. Ninguém fornece informações que possam facilitar ataques, invasões e outros comportamentos delituosos”, afirmou o presidente do TSE.

Na sequência, Barroso se referiu a Bolsonaro apontando como o presidente divulgou dados sigilosos.

“Tudo aqui é transparente, mas sem ingenuidades. Informações sigilosas que foram fornecidas à PF para auxiliar uma investigação foram vazadas pelo próprio presidente da República em redes sociais. Divulgando dados que auxiliam milícias digitais e hackers de todo o mundo que queiram invadir nossos equipamentos. O presidente da República vazou a estrutura interna da TI (tecnologia da informação) do TSE”, disse.

Barroso declarou ainda que o presidente facilitou a exposição do processo eleitoral a “ataques de criminosos”. A despeito disso, ele afirmou que o vazamento não comprometerá a segurança e o resultado das eleições.

“Faltam adjetivos para qualificar a atitude deliberada de facilitar a exposição do processo eleitoral brasileiro a ataques de criminosos. Sempre lembrando: a maior segurança das urnas eletrônicas brasileiras é que elas nunca entram em rede. Portanto, nem o vazamento permite que se comprometa o resultado das nossas eleições”, concluiu.

Em 4 de agosto de 2021, Bolsonaro divulgou nas redes sociais a íntegra de um inquérito da Polícia Federal que apura suposto ataque ao sistema interno do TSE em 2018 – conforme o tribunal, não representou qualquer risco às eleições.

O ato resultou na abertura de um inquérito por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Para a Polícia Federal, há indícios de crime na conduta do presidente.

Barroso também criticou tentativas recentes de retomar a discussão sobre o voto impresso – uma bandeira antiga de Jair Bolsonaro, que nunca apresentou provas da suposta fragilidade no sistema eletrônico.

“Não há qualquer sentido em se retomar a discussão sobre o voto impresso com contagem pública manual para as eleições 2022, como voltou a circular. Um retrocesso que já assombrou o país no ano passado, e que volta e meia é ressuscitado”, declarou o ministro.

Segundo Barroso, além da decisão dos parlamentares, o calendário eleitoral de 2022 impede que mudanças definidas a essa altura surtam efeito na votação marcada para outubro.

“Para a Justiça Eleitoral, já não daria tempo de operacionalizar o desenvolvimento de um novo sistema, fazer o protótipo da impressora – que não é uma urna pronta de balcão, mas é customizada para garantir o sigilo. Não daria tempo para isso, não daria tempo para fazer a licitação e produzir 500 mil impressoras”, disse o presidente do TSE.

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