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Barroso diz que atos de 7 de setembro marcaram “o sepultamento do golpe”

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Em entrevista à Globonews transmitida nesta quarta-feira (16), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, afirmou que os atos promovidos pelo Jair Bolsonaro (PL) em 7 de setembro do ano passado marcaram o “sepultamento” de qualquer tentativa de ruptura institucional por parte do presidente.

Nas manifestações do Dia da Independência do Brasil e 2021, Bolsonaro fez ataques às instituições democráticas, afirmou que poderia descumprir ordens judiciais do Supremo, atacou ministros do STF com insultos – como Alexandre de Moraes, que foi chamado de “canalha” pelo presidente, no ato de São Paulo – e seus seguidores tentaram invadir o STF ao menos 7 vezes.

Barroso foi questionado sobre a possibilidade de Bolsonaro fazer uma tentativa de golpe de Estado no Brasil, caso perca as eleições presidenciais deste ano. Na resposta, declarou que “maus perdedores” existem em todos os lugares e que “não há remédio na farmacologia jurídica” para estas pessoas.

O ministro, no entanto, não vê possibilidade de golpe no Brasil e aponta que “as instituições brasileiras são sólidas”.

“Eu acho que o 7 de setembro foi bem o sepultamento do golpe. Compareceram menos de 10% do que se esperava, quer dizer a extrema-direita radical no Brasil é bem menor do que se alardeava, as polícias militares não aderiram, nenhum oficial da ativa relevante deu qualquer apoio àquele tipo de manifestação. O presidente compareceu, fez um discurso pavoroso, golpista, de ameaças a pessoas e ofensas. (Disse) ‘Não vou cumprir decisão judicial’ e, dois dias depois, mudou completamente o discurso, procurou as pessoas que ele tinha ofendido para conversar… De modo que eu acho que ali se relevou que a sociedade brasileira não aceitaria nada diferente”, afirmou.

Após a tensão institucional gerada pelas manifestações de 7 de setembro, Bolsonaro recorreu ao ex-presidente Michel Temer para fazer uma ponte conciliatória com Moraes e chegou, inclusive, a divulgar uma carta à nação, em que disse que não tem intenção de atacar os Poderes da República.

Na entrevista à GloboNews, Barroso também afirmou que Bolsonaro mentiu em uma transmissão ao vivo recente, ao declarar que as Forças Armadas teriam encontrado “vulnerabilidades” no sistema de votação do Brasil.

O presidente do TSE apontou que as Forças Armadas “não apontaram coisa alguma”.

“A mentira já estava pronta. E é lamentável envolver as Forças Armadas, que são um setor respeitado da sociedade brasileira, que têm o prestígio que deve ter, e que não devem ser jogadas em discursos políticos menores de varejo e de campanha. E, portanto, nós temos muita convicção que isso não vá acontecer”, ponderou.

Nesta quarta-feira (16), o TSE divulgou a íntegra das informações que prestou às Forças Armadas sobre o processo eletrônico de votação.

“A arquitetura de segurança da urna eletrônica, combinada com as exigências de cadeia de produção e demais avaliações feitas pela equipe do TSE durante o planejamento da produção, garantem que haja segurança nas urnas produzidas independentemente do fornecedor dos componentes eletrônicos e independente da contratada, que projeta e integra a urna eletrônica”, conclui o documento divulgado ao público.

Barroso rebateu ataques pessoais

Em outro momento da entrevista, o ministro do STF respondeu ataques de Bolsonaro e afirmou que não se incomoda com as críticas do presidente porque “há pessoas cujas opiniões não fazem diferença”.

O magistrado ressaltou, porém, que só se manifestou sobre ataques do presidente quando eles ocorreram no âmbito institucional. Neste caso, o ministro apontou que se viu na obrigação de defender a Constituição.

“Há pessoas que são desencontradas espiritualmente. E eu sou dessas pessoas que vive em um estado de paz interior. Eu diria que se ficasse com raiva seria mais humano do que minha completa indiferença. Afora os ataques institucionais que respondi por meu dever de defender a Constituição, [pois] há pessoas cujas opiniões não fazem diferença”, afirmou.

Bolsonaro fez novos ataques a ministros do STF

O presidente da República, a sua vez, afirmou em entrevista à Jovem Pan nesta quarta-feira (16) que os ministros do Supremo, Edson Fachin, Luis Roberto Barroso e Alexandre de Moraes querem torná-lo inelegível “na base da canetada” para beneficiar a candidatura do ex-presidente Lula, seu adversário nas eleições de 2022.

“Difícil continuar três ministros do STF agindo dessa maneira. É uma perseguição clara à minha pessoa … Essas três pessoas (Fachin, Barroso e Moraes) não contribuem com o Brasil em nada”, criticou o presidente, que ainda reforçou que os ministros tentam desgastar o governo para “eleger seu candidato, que é o Lula”.

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