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Balsas de garimpo ilegal expressam a conivência de Bolsonaro com o crime ambiental, diz Marina

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Em publicação no Twitter nesta quarta-feira (24), a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), classificou a invasão de centenas de balsas de garimpo ilegal no Rio Madeira (AM) como uma “situação fora de controle” que expressa “a atitude conivente do próprio presidente Bolsonaro” com o crime ambiental.

“Trezentas embarcações atracadas no Rio Madeira é uma situação fora de controle. É uma expressão do que a atitude conivente do próprio presidente Bolsonaro autoriza: o crime ambiental de várias modalidades. Mas o garimpo ilegal, espalhando mercúrio na maior bacia hidrográfica do planeta é imperdoável”, afirma a ex-ministra.

Marina também pede medidas para evitar danos ambientais irreparáveis na região.

“É preciso uma ação imediata e contundente para impedir que ocorra uma contaminação irreparável do rio, peixes e pessoas, nesta geração e nas próximas. Não só os brasileiros conscientes, mas a população do planeta pede pela Amazônia”, conclui.

O Rio Madeira sempre foi alvo de garimpeiros ilegais, mas eles normalmente se mobilizam de forma isolada. Neste caso, porém, foram compartilhadas mensagens entre eles apontando a existência de ouro na região.

As centenas de balsas atracadas para extração de ouro no Rio Madeira começaram a chegar há 15 dias no local, que fica perto da comunidade de Rosário, a 113km de Manaus, capital do Estado.

As balsas, dragas, empurradores e outros equipamentos para extração ilegal de ouro no Rio Madeira formaram uma vila flutuante diante da comunidade de Rosário e assustou moradores da região.

Em um áudio obtido pelo Estadão, um garimpeiro afirma que “lá embaixo estão fazendo 1 grama de ouro por hora”.

Nas mensagens, um homem que se identifica como garimpeiro também fala em montar um “paredão” de balsas para reagir a qualquer tipo de abordagem para fiscalização.

O garimpo deteriora o Meio Ambiente destruindo as margens dos rios e modificando profundamente a paisagem. Também contamina as águas com aplicação de mercúrio e outros detritos. O prejuízo ambiental é muito elevado, pois os rios são assoreados, a fauna é contaminada, a cobertura vegetal é retirada e compromete a saúde do homem.

A Polícia Federal articula ações para conter o avanço das centenas de balsas. Outros órgãos, como o Ibama e o Ministério da Defesa, também participam da operação.

“A pedido do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Polícia Federal acompanha o caso para adoção das medidas cabíveis com a maior brevidade possível”, afirmou a superintendência da Polícia Federal ao Estadão.

A corporação não deu detalhes sobre a operação, mas o jornal apurou que um grande grupo de agentes que inclui policiais federais, agentes do Ibama e Forças Armadas foi mobilizado por conta da dimensão do problema e o risco de reações violentas.

O Estadão obteve outras mensagens trocadas entre garimperios em que eles avisam que está saindo de Manaus um comboio do Exército, Polícia Federal e Ibama” para a região onde estão as balsas, nas proximidades do município de Autazes.

“Está lotado, mano, e subindo para a banda daí, viu”, diz o garimpeiro.

O homem ainda lembra de um caso em que grupos invadiram e queimaram unidades do Ibama e do Instituto Chico Mendes (ICMBio) no município de Humaitá, nas margens do Rio Madeira, em reação à operação ambiental que destruiu uma de suas balsas.

“Uma vez, quando tocaram fogo numa balsa aqui em Humaitá, nós fomos pra cima. Tocamos fogo no Ibama, tocamos fogo no ICMBio, tocamos o foda-se, meu irmão”, diz o garimpeiro.

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