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Assessor de Bolsonaro pediu promoção no Bope por assassinato

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O ex-sargento da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Max Guilherme Machado de Moura, que hoje trabalha de assessor especial e segurança do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), entrou na Justiça em 2009 contra o Estado do RJ pedindo uma promoção por “bravura” por ter participado de um assassinato em uma favela – uma morte em confronto, segundo afirma.

Atualmente na reserva, o segurança alegou em documento obtido pela coluna de Guilherme Amado no Metrópoles que sua participação no assassinato não foi reconhecida e que, por isso, ele deixou de ser promovido dentro da corporação.

Ele trabalha há oito anos com Bolsonaro e frequentemente aparece ao lado do presidente em conversas no cercadinho do Palácio do Alvorada e viagens oficiais. Nas redes sociais, Max também compartilha propaganda, memes e fake news a favor de Bolsonaro.

Há 2 semanas, o ex-sargento esteve de viagem pelo Oriente Médio com a comitiva presidencial que passou pelos Emirados Árabes, Bahrein e Catar.

O assassinato que o assessor de Bolsonaro se refere ocorreu em 2006, quando ele era sargento do Batalhão de Operações Especiais (Bope), no morro de São Carlos, regial central do Rio de Janeiro.

Max Guilherme alegou no processo que participou da operação que matou o traficante “Aritana” – chefe do tráfico de São Carlos na época – e afirmou que “por algum equívoco” seu nome não foi colocado no registro de ocorrência, o que o prejudicou, segundo afirma.

Trecho da decisão do TJ-RJ sobre o processo em que Max Guilherme pede promoção por participação na morte de um traficante / Documento obtido pela coluna de Guilherme Amado no Metrópoles

Reportagem do jornal O Globo publicada na época informa que o traficante Gilson Ramos da Silva, conhecido como Aritana, foi morto por dez policiais militares no dia 17 de março de 2006.

A reportagem não deu detalhes sobre as circunstâncias da morte e aponta apenas que “policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do 1º BPM (Estácio), com apoio do veículo blindado conhecido como Caveirão, realizaram o ataque contra Aritana e seu bando”.

Após a morte do chefe do tráfico da região, a PM controlou o morro por duas semanas.

Somente 3 anos depois, o hoje assessor de Bolsonaro reivindicou na Justiça a promoção por bravura.

Procurado pela coluna de Guilherme Amado, o ex-sargento afirma que acionou a Justiça porque “grande parte dos policiais da operação foi promovida por bravura”, com exceção dele.

No processo, o assessor de Bolsonaro alegou que teve prejuízos na carreira por não ter sido reconhecido como um dos autores do crime.

“(Max Guilherme) Informa que tal equívoco prejudicou consideravelmente o ora autor, dada a relevância da promoção em sua carreira. Que, em virtude disso, manejou o requerimento administrativo para sua promoção por bravura, junto ao comando, mas mesmo assim, não obteve deferimento”, diz o documento.

Na época, o Estado do RJ chefiado pela governadora Rosinha Garotinho concedia a “gratificação faroeste”, que premiava policiais por mortes cometidos em “atos de bravura”.

Em junho de 2015, a Justiça do RJ arquivou o processo de Max Guilherme contra o estado e decidiu que o assessor de Bolsonaro não teve participação no crime para receber o mérito que solicitava.

“Inexistem relatos de atitudes meritórias do ora autor, já que somente os acima citados tiveram atuações específicas e destacadas na missão, o que justificou a concessão do benefício, de acordo com a avaliação da instituição”, decidiu a juíza responsável peldoo caso, Ana Cecilia Argueso Gomes de Almeida.

Decisão da juíza do TJRJ nega pedido de promoção de Max Guilherme por ato de bravura.

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