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Anvisa sofre ameaças por aprovar Coronavac para crianças

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Diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) receberam novas ameaças nos últimos dias por conta da decisão de autorizar aplicação da vacina coronavac em crianças e adolescentes de 6 a 17 anos.

A CNN Brasil teve acesso a dois dos emails recebidos pelos diretores. Segundo a Anvisa, foram recebidas mais de 300 mensagens com críticas e ameaças desde o ano passado.

“O que está acontecendo com vcs?? Será que a ganância está falando mais alto que o bom senso e o amor a pátria?? É uma vergonha ver vcs que não poupam nem os pequeninos da ganância louca e o interesse mercenários. (…) Cuidado tudo que plantar colherá Deus pode tocar nos seus não se esqueçam, arrependam se senão o preço que vc vai pagar será altíssimo [sic]”, diz uma das mensagens.

Outras mensagens também seguem a tônica de sugerir que supostas represálias virão de “Deus”.

“Lembre se lá em cima Deus contempla a todos e quando Deus tocar nos seus trazendo dor e sofrimento lembre se essa maldição foi vc mesmo que trouxe para dentro da sua família”, afirma outro e-mail. “E o preço a ser pago será terrível não quero estar na sua pele e oro a Deus em desfavor de todos que tem causado dor e sofrimentos ao seu próximo, lembre se o próximo pode ser dentro de sua família (sic)”.

A Anvisa informou em nota que desde o início todas as ameaças recebidas são reportadas à Polícia Federal (PF) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

“Até este sábado (22), desde a aprovação da vacina infantil da Pfizer, foram mais de 300 ameaças”, informou a assessoria de comunicação da agência.

“Depois da autorização de uso da Coronavac para crianças, passaram a chegar mais e-mails. A assessoria afirma que a Anvisa tem enviado todos os e-mails e ameaças para a Polícia Federal e para o Supremo Tribunal Federal”, continua a nota.

Em entrevista à TV Bandeirantes, o gerente-geral de medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes, afirmou que lamenta os ataques e referendeu que a agência usou “métodos científicos rigorosos” para avaliar as vacinas.

“Têm sido dias de muito desafio. O sentimento é de muita firmeza com a decisão que tomamos e com todas as decisões que temos tomado para as vacinas. Estamos cientes de que, para aprovar, usamos métodos científicos, métodos técnicos rigorosos, e que não há motivo para questionar ou duvidar da nossa integridade como servidores públicos. Os ataques que recebemos só lamentamos. Muitas vezes não compreendem o teor das nossas decisões”, declarou ao Manhã Bandeirantes.

O órgão recebeu ameaças semelhantes depois que aprovou a aplicação da vacina da Pfzeizer para crianças de 5 a 11 anos. Na ocasião, a Anvisa denunciou as ameaças e solicitou reforço na segurança dos profissionais e da sede da agência. O pedido, no entanto, nunca foi atendido.

Coronavac para crianças

O uso pediátrico da coronavac foi aprovado na última quinta-feira (20), em reunião da Diretoria Colegiada da Anvisa. A autorização de uso emergencial para a inclusão de nova faixa etária em bula foi concedida especificamente para o público compreendido entre 6 e 17 anos, crianças e adolescentes não imunocomprometidos, baseada em estudos realizados em diversos países, como China e Chile, e apresentados pelo Instituto Butantan no processo.

No decorrer do processo foram avaliados estudos clínicos de fase I e II, dados preliminares dos estudos de eficácia, segurança e imunogenicidade (fase III) realizados com 14 mil crianças em cinco diferentes países, e de estudos de efetividade (fase IV) realizados com milhões de crianças no Chile. As evidências científicas disponíveis até o momento sugerem que há benefícios e segurança para a utilização da vacina na população pediátrica. A autorização levou em conta, também, a necessidade de ampliar as alternativas disponíveis para essa faixa etária. Esclarece-se, no entanto, que a decisão sobre a incorporação da CoronaVac para essa nova faixa etária no Programa Nacional de Imunizações (PNI) cabe ao Ministério da Saúde.

No Brasil, até o momento, a análise de causalidade acerca de reações adversas demonstra que a vacina CoronaVac não está relacionada a nenhum óbito dentre os públicos para os quais estava disponível até então e os eventos adversos graves são considerados raros ou raríssimos. Já no cenário internacional, nos países em que a CoronaVac já vem sendo aplicada no público de 2 a 17 anos, os dados demonstram que 86% dos eventos adversos registrados nessa faixa etária são do tipo não graves. Ainda assim, a aprovação para o público de 6 a 17 anos no Brasil foi condicionada ao monitoramento constante e à comunicação dos eventos adversos que venham a ser registrados, além da manutenção de um plano de gerenciamento para minimizar riscos, que contemple a execução de estudos de segurança pós-autorização.

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